Eu vou dizer do jeito que os bastidores do mercado publicitários entendem. Negociação boa é aquela que vira assinatura. O resto é conversa de elevador com cafezinho ruim. E foi exatamente aí que a história parou.
Durante o Carnaval, eu mesma ouvi de Evaristo Costa a frase que virou mantra do verão corporativo da TV. Contrato bom é contrato assinado. Teve entrevista, teve aceno, teve clima ótimo. Tudo muito civilizado, quase um namoro maduro. Mas sem pedido oficial no altar.
Foram várias rodadas de conversa com a Rede Record, duas recusas claras e uma terceira tentativa que terminou com sinceridade pública. O projeto Casa do Patrão seguiu na mesa enquanto o Paris do Costa continuava de férias. E quando um está relaxando e o outro quer pressa, a planilha não fecha.
O tom foi de gratidão. A Record ouviu elogios pela paciência, a Disney saiu citada no agradecimento e até Boninho entrou no pacote de confiança reconhecida. Tudo elegante, tudo educado, tudo com cheiro de porta que não bateu, só ficou encostada.
No fim, o que ficou foi o recado clássico do capitalismo bem-criado. Sem assinatura, não tem estreia. Sem estreia, cada um segue seu fluxo. Ele para as férias. A emissora volta para o casting. E o mercado aprende mais uma vez que bastidor amistoso não paga multa nem garante estreia em horário nobre.
Na novela dos contratos, essa foi aquela trama que teve reunião demais e capítulo final antecipado. E eu, claro, sigo observando com a taça cheia e o radar ligado.