Me ligaram de São Paulo ontem à noite. Era uma amiga jornalista, já rindo antes de falar: “Kátia, você viu a Luana?” Eu estava aqui na Costa Amalfitana, olhando pro mar, e já senti o cheiro de barraco traversando o Atlântico.
Luana Piovani foi ao podcast Conversa Vai, Conversa Vem para falar de espiritualidade. Contou que visitou um terreiro em Salvador, que se identificou com as religiões de matriz africana, que é brasileira e que isso está no DNA. Até aí, conversa bonita. Aí ela foi fundo na ferida.
Criada pela avó na Igreja Adventista do Sétimo Dia, leitora de Bíblia, viajante de Israel, a Luana não veio como quem fala de fora. Ela veio com histórico, com pertencimento, com o que ela chama de lugar de fala. E usou tudo isso para dizer que o evangélico de hoje “virou o protótipo de um ser desprezível”, que perdeu o amor, ganhou política e que a avó “deve estar dando voltas no caixão.”
Para quem ficou ofendido, ela não recuou meio centímetro: “Achou ruim? Come menos. Caguei para vocês.”
A internet, previsível como sempre, dividiu em dois blocos. De um lado, aplausos de quem disse que ela falou o que muita gente pensa mas tem medo de verbalizar. Do outro, acusações de preconceito, generalização e ódio religioso. A entrevistadora ainda tentou um “mas talvez seja só algumas correntes, né?” e Luana respondeu com o IBGE na mão: quando a maioria dos dados aponta numa direção, generalizar é análise, não ataque.
Pode concordar ou não com ela. Mas Luana Piovani nunca foi de sussurrar o que pensa, e isso, pelo menos, ninguém tira.
Confira o vídeo: