Amores , fechei o laptop, pedi à recepção do hotel em Salerno para não me transferir chamadas até segunda ordem, mandei buscar uma garrafa de água com gás e uma taça decente, e anunciei para mim mesma que o domingo ia terminar do único jeito que merecia: com a terceira temporada de Euphoria na tela grande do quarto, as cortinas fechadas e nenhuma obrigação de comentar a opinião de ninguém sobre nada. Algumas coisas na vida são sagradas, e Jacob Elordi num close de tela de 55 polegadas é uma delas.
Euphoria 3 estreia neste domingo, 12 de abril, às 22h, na HBO e na Max, e a mudança que a série promete é real e substancial. A produção salta cinco anos em relação ao final da segunda temporada e abandona de vez o colégio. Rue, Cassie, Nate, Jules e os outros já são adultos, e a vida adulta chegou para eles com a generosidade que costuma ter com quem saiu da adolescência completamente quebrado: dívidas, vícios, trabalhos precários, consequências de escolhas que na época pareciam só dramáticas e agora têm peso jurídico e financeiro de verdade. Rue lida com as consequências de dever dinheiro para traficantes perigosos, com um eixo de cartel mexicano que leva a protagonista para muito além da cidade. Cassie virou musa de internet, usando a própria imagem em plataformas como OnlyFans para sobreviver e alimentar um relacionamento ainda doentio com Nate.

A fotografia continua milimetricamente estilizada, mas o tom saiu do videoclipe infinito e foi para o melodrama adulto com cara de cinema. A HBO quer transformar o que era referência de maquiagem no TikTok em drama de prestígio que disputa premiação com os pesos pesados do canal.
Nos bastidores digitais, a conta oficial da série passou as últimas semanas soltando teasers com aquele timing de quem sabe exatamente o que o público aguenta de espera antes de explodir. Zendaya apareceu em fotos de divulgação com uma energia completamente diferente das temporadas anteriores, mais contida, mais pesada, e o fandom interpretou cada expressão como spoiler. Jacob Elordi, que virou estrela global entre a segunda e a terceira temporada, voltou com Nate e a internet parou por alguns minutos para processar o que isso significava para o arco do personagem.
A leitura que me interessa é de aposta arriscada e necessária ao mesmo tempo. Euphoria foi tão imitada nos últimos quatro anos, em estética, paleta de cor e narrativa de adolescência perturbada, que continuar no mesmo formato seria entregar uma versão inferior do que já existe por aí. Ao saltar no tempo e envelhecer os personagens, a série força o público a crescer junto, e isso é um movimento criativo que poucos produtos de tanto apelo teen conseguem executar sem perder metade da audiência no caminho.
A geração que começou assistindo Euphoria na adolescência agora paga boleto, tem conta no vermelho e diagnóstico psiquiátrico. Os personagens finalmente chegaram no mesmo lugar.
O que eu quero saber é se Nate Jacobs adulto ainda vai ter aquela energia de villão que faz metade do fandom odiar e a outra metade salvar print. Spoiler da Kátia: provavelmente sim. Alguns vícios de roteiro são mais difíceis de largar do que qualquer droga que a Rue já experimentou.