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Kátia Flávia
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“Eu me arrumava como um ato de resistência, cuidado e reconstrução”, Mayara Occhi de Oliveira transforma a moda em ferramenta de reencontro e força feminina

Mais do que estética, a moda se torna, para Mayara, um caminho de cura, presença e fortalecimento da identidade.

Kátia Flávia

09/04/2026 16h00

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“Eu me visto para me reconhecer.” (Foto: Divulgação)

Algumas pessoas escolhem uma roupa para sair de casa. Mayara Occhi de Oliveira, de 30 anos, escolheu para se reencontrar. Engenheira química, com formação em engenharia de petróleo e gás, ela poderia ser definida pelos títulos, que falam muito sobre disciplina. Porém, é na profunda relação com a moda que a paulista encontrou um propósito. Inspirada não apenas por grandes nomes, mas por histórias de mulheres que ressignificaram a moda, como Coco Chanel, que teve a vida marcada por reinvenção, independência e ruptura de padrões.

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“Minha imagem é extensão de quem eu sou.” (Foto: Divulgação)

Mayara é uma mulher em construção consciente, que transforma dor em expressão e que aprendeu a se reconstruir sem abandonar a própria essência. Essa reconstrução não começou na estética, começou no desconforto. Em algum momento da vida, sem data exata, mas com intensidade suficiente para não ser ignorada, Mayara percebeu que já não cabia em si mesma. “Eu estava vivendo, mas não estava me reconhecendo,” contou.

Era um incômodo silencioso e constante, como se algo interno insistisse em dizer que ela estava se traindo. Crescer, então, deixou de ser sobre avançar e passou a ser sobre deixar para trás versões que já não faziam sentido, mesmo que isso doesse. O ponto de virada não veio como um acontecimento isolado, mas como um acúmulo.

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“Me arrumar é um ato de resistência.”(Foto: Divulgação)

Reconhecer-se para recomeçar

Sentimentos engolidos, desconexões repetidas e uma sensação persistente de estar distante de si. Até que ignorar passou a ser mais difícil do que encarar. O desconforto ficou maior do que o medo de mudar. Foi nesse processo que a moda deixou de ser uma superfície.
Desde criança, Mayara já brincava com roupas, estética e imaginação, mas o que antes era expressão lúdica ganhou outra dimensão quando a autoestima se fragilizou. Durante momentos em que se sentia emocionalmente perdida, vestir-se passou a ser mais do que uma escolha estética, tornou-se um gesto de resistência.

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“Não é sobre padrão, é sobre presença.”(Foto: Divulgação)

“Eu me arrumava como um ato de resistência, de cuidado, de reconstrução. Aos poucos, percebi que o que vestia mudava diretamente como me sentia. E essa constatação mudou tudo. A moda deixou de ser algo externo, uma tentativa de atender padrões, e passou a ser uma extensão da minha identidade”, disse.
Hoje, Mayara escolhe suas roupas como se escolhesse palavras. Ela pensa na energia, na intenção, na mensagem. “Quem eu sou hoje e como eu quero me posicionar?”, reflete. O visual, para ela, precisa responder a isso. Não é sobre estar bonita, é sobre estar em sintonia. Esse entendimento também muda a ideia de beleza.
Em um contexto em que mulheres são frequentemente cobradas a se encaixar, Mayara propõe outra leitura: beleza não como um padrão, mas como história, energia e presença. “A beleza não está no padrão, mas na história que cada mulher carrega.”

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“A moda me ajudou a voltar para mim.” (Foto: Divulgação)

Família, identidade e propósito: a base de quem ela se tornou

A família aparece como base, trazendo amor, aprendizados e desafios, como em qualquer história real. Há diferenças, mas também respeito e um vínculo que sustenta. É nesse equilíbrio entre estrutura e sensibilidade que suas múltiplas identidades coexistem: a engenheira e a mulher da moda se complementam.
Talvez seja justamente essa coexistência que torna sua história tão significativa. Mayara não fala de moda como tendência, mas como ferramenta. Como uma possibilidade de retorno a si. Como uma forma de reconstruir a autoestima sem apagar cicatrizes. E, principalmente, como um caminho que não exige encaixe, mas presença.

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“Eu escolhi me reconstruir sem deixar de ser quem eu sou.”(Foto: Divulgação)

Ao olhar para o futuro, seus planos seguem essa mesma lógica. Ela quer construir algo com propósito: um espaço (seja em forma de conteúdo, projeto ou negócio) onde mulheres possam se sentir vistas, representadas e valorizadas.
Onde a moda não seja imposição, mas conexão. Mais do que se reconstruir, Mayara quer abrir caminho para que outras façam o mesmo. E talvez seja isso que torna sua iniciativa tão necessária: em um mundo que insiste em moldar mulheres de fora para dentro, ela escolheu fazer o caminho inverso. Vestiu-se de si.
Para acompanhar as dicas de moda, a rotina, os conselhos e as reflexões de Mayara Occhi de Oliveira, uma ótima alternativa é seguí-la no Instagram: @amanmay_.

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