Eu confesso que dei aquela parada básica no meu café aqui em Roma, porque tem notícia que chega com cara de evento educacional comportado e, de repente, entrega um enredo muito melhor. Estamos falando de mais de 3.700 estudantes da rede pública, de 450 escolas, organizados em 2.200 grupos, orientados por 520 professores e colocados diante de executivos de peso para defender ideia, projeto e visão de futuro. Aí o assunto cresce, ganha músculo e deixa de ser só pauta bonitinha para virar cena de ambição real, daquelas que fazem muito adulto engravatado perder o rebolado.
A final da Maratona de Empreendedorismo Jovem aconteceu nos dias 10 e 11 de março, em São Paulo, depois de uma jornada realizada entre setembro e novembro de 2025. A iniciativa foi promovida pela Associação Cactus, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Paraná, realizada pela SME The New Economy e pelo Instituto Stone, com apoio institucional da Acer. Foram escolhidos 30 estudantes e 10 professores para a imersão final, com mentorias especializadas e contato direto com nomes de organizações como Stone, BTG Pactual, Fundação Estudar, Fundação Itaú, Fundação Behring, Arco Educação, Spectra Investimentos e Rocketseat. Meu amor, isso já sai do campo da boa intenção e entra na sala onde o jogo começa a valer.
Os projetos vencedores foram Tellon, em primeiro lugar, NuEvo, em segundo, e GuiaTech, em terceiro. Cada um recebeu R$ 10 mil para investir no desenvolvimento da proposta, enquanto outros sete grupos finalistas ficaram com R$ 5 mil cada para seguir tocando as soluções. Eu gosto dessa parte porque põe dinheiro, validação e consequência na conversa. Tem muita gente apaixonada por discurso sobre juventude, inovação e impacto, mas com a mão fechada na hora de apostar de verdade. Aqui teve banca, teve seleção, teve premiação e teve continuidade.
O que mais me chama atenção é o tamanho simbólico desse movimento. Aluno da rede pública, que tantas vezes é tratado como figurante do debate nacional, vira protagonista diante de empresários e executivos e apresenta solução para problema real. Segundo Victor Hill, da Associação Cactus, a proposta amplia o papel da escola na criação de oportunidades concretas. Theo Braga, da SME The New Economy, já fala em expansão nacional da iniciativa em 2026. Eu acho chiquérrimo ver educação pública entrando no feed por mérito, preparo e resultado, e não por escândalo ou abandono. Dessa vez, o palco estava montado para ideia boa, e os meninos subiram nele com uma segurança que vale mais que muito painel lotado de adulto falando difícil.