Agora deixa eu contar isso direito, porque , já vi muita mãe surgir do nada em novela, mas essa Estela resolveu abrir o coração como quem puxa um tapete persa no meio da sala.
Na reta decisiva de Êta Mundo Melhor!, a enfermeira de olhar sofrido, vivida pela Larissa Manoela, solta a bomba que estava guardada a sete chaves. Anabela não é irmã. É filha. Filha biológica, escondida por medo, juventude e aquele preconceito clássico que novela adora esfregar na nossa cara.
A menina, interpretada por Isabelly Carvalho, reage como qualquer personagem que cresce acreditando numa história e descobre outra. Fecha a cara, endurece o coração e se agarra a quem criou. Para ela, mãe continua sendo Miriam.
E Miriam, minha gente, entra nesse capítulo como quem sabe que vai sair pela porta da frente do drama. A personagem de Leticia Sabatella reaparece trazendo passado mal resolvido, mágoa acumulada e aquele clima de despedida que a gente sente antes mesmo do texto avisar.
A sequência final vem pesada. Miriam adoece, enfraquece e morre nos braços de Estela, num daqueles momentos em que a novela pede silêncio na sala e ninguém pega no celular. Teve flashback, declaração de amor tardia e equipe emocionada nos bastidores, daquele jeito que vira lenda de gravação.
Aqui na minha mesa de bar chique do subúrbio, eu digo sem medo. Walcyr Carrasco apertou o botão do melodrama clássico e entregou tudo que o público das seis espera. Segredo revelado, laço quebrado, reconciliação torta e morte com direito a lágrima coletiva.