Maya Massafera abriu o jogo sobre a vida íntima e revelou nas redes sociais que teve apenas uma relação sexual neste ano. Aos 45 anos, a influenciadora disse que está em julho e que “transei uma vez”, além de explicar como cirurgias, tratamentos hormonais e a falta de atitude dos homens interferiram em sua vida amorosa nos últimos meses.
Eu ainda estava no almoço com as meninas, naquela fase perigosa em que o prato já acabou, mas ninguém levanta porque a sobremesa virou desculpa para fofoca, quando o vídeo da Maya apareceu na mesa como se fosse entrada quente. Uma amiga quase derrubou o café, outra perguntou se “panguá” ainda era diagnóstico social aceito, e eu só pensei: minha filha, tem desabafo que não vem em story, vem em boletim médico, terapia de grupo e reunião de amigas ao mesmo tempo.
Maya contou que passou janeiro e fevereiro de rolinho com um rapaz, mas que a história não avançou como poderia. Segundo ela, o moço estava em mudança de trabalho e de cidade. Quando finalmente apareceu em São Paulo, a influenciadora tinha acabado de passar por uma cirurgia, o que impediu o encontro mais íntimo. É a vida adulta, amor: às vezes o romance perde para a logística, para o pós-operatório e para a agenda de um homem que já chega com mala e desculpa.
Ela também explicou que os tratamentos hormonais da transição de gênero impactam sua libido. Maya afirmou que toma bloqueadores de hormônio masculino pela manhã e hormônios femininos à noite, por isso não sente aquela urgência sexual que muita gente imagina. E aqui cabe um ponto importante: falar disso com naturalidade é muito mais útil do que fingir que corpo, desejo e transição seguem roteiro de novela das nove com trilha perfeita e beijo no pôr do sol.

Eu achei Maya muito honesta, e isso sempre assusta a internet. Porque o povo adora cobrar performance de mulher, de famosa, de trans, de solteira, de todo mundo. Querem que ela esteja linda, desejada, sexualmente ativa, plena, misteriosa e disponível, tudo ao mesmo tempo. Aí quando a mulher chega e fala “transeei uma vez”, vira manchete porque a sinceridade, nesse país, ainda causa mais choque que muita mentira bem maquiada.
A influenciadora contou ainda que a única vez aconteceu há cerca de 15 dias, com um rapaz de quem ela esperava algo a mais. Só que o encanto, pelo visto, veio com defeito de fábrica. Maya disse que ainda não sabe o que vai acontecer porque ele é “meio panguá”. E eu, que já almocei com amigas suficientes nessa vida, posso afirmar: “panguá” é uma categoria afetiva muito específica. Não é vilão, não é príncipe, não é golpe. É aquele homem que parece estar sempre esperando um manual de instruções cair do céu antes de mandar um “boa noite”.
Maya também reclamou da falta de atitude masculina e disse que quer um “homem raiz”, daqueles que ligam, tomam iniciativa e abrem a porta do carro. A mesa inteira reagiu como se ela tivesse lido uma petição coletiva. Porque, veja bem, ninguém está pedindo Dom Pedro voltando do Ipiranga a cavalo. Às vezes é só uma ligação, uma proposta clara e um mínimo de postura antes que a mulher precise fazer o trabalho emocional, logístico e espiritual do encontro inteiro.

O desabafo de Maya tem graça, mas também tem um fundo real. Depois de uma transição exposta, cirurgias, hormônios, julgamentos e a patrulha eterna da internet, ela está falando sobre desejo sem glamourizar nem dramatizar. Está dizendo que nem tudo é fogo, nem tudo é carência, nem tudo é disponibilidade. Às vezes é só uma mulher tentando entender o próprio corpo, escolher melhor os homens e não transformar qualquer “oi sumida” em destino.
Eu terminei o café pensando que Maya fez um serviço público para muita gente que vive fingindo abundância afetiva no Instagram enquanto responde mensagem seca de homem indeciso. Ela só colocou nome na prateleira: teve pouco sexo, teve cirurgia, teve hormônio, teve panguá e teve vontade de encontrar alguém com atitude. Se isso não é o retrato íntimo de 2026, eu não sei mais o que é.