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Kátia Flávia
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“Escondem o filho feio”: musa da pornochanchada expõe galãs da Globo que renegam passado

Aldine Müller, hoje com 72 anos, disse que nomes como Reginaldo Faria e Antonio Fagundes tentam se afastar dos filmes eróticos, enquanto mulheres carregaram o preconceito mais pesado.

Kátia Flávia

06/08/2026 8h19

Aldine Müller criticou galãs da TV que, segundo ela, renegam o passado na pornochanchada

Aldine Müller criticou galãs da TV que, segundo ela, renegam o passado na pornochanchada

Aldine Müller, conhecida como uma das musas da pornochanchada, afirmou que galãs da televisão brasileira renegam o passado nas comédias eróticas. Aos 72 anos, a atriz citou Reginaldo Faria e Antonio Fagundes ao dizer que muitos atores tentam esconder esse capítulo da carreira, embora também tenham participado do gênero.

Eu ainda estava em Ibiza, tentando recuperar a leveza depois da pauta anterior, quando troquei o café gelado por um copo de água com gás e abri essa entrevista de Aldine Müller. A mulher chegou com 72 anos, currículo de mais de 40 filmes e uma frase dessas: “escondem o filho feio”. Pronto. A manhã ganhou trilha de cinema nacional, cortina de veludo e hipocrisia sentada na primeira fila.

“Vi o Reginaldo Faria escondendo o filho feio. Achei muito feio isso dele. É seu filho, amor. Eles escondem o filho feio. Não adianta fugir, foi um aprendizado”, disse Aldine no podcast Ponto de Ironia, no YouTube.

A atriz afirmou que não se orgulha de tudo que fez, mas também não pretende apagar a própria trajetória. “Não me orgulho de muita coisa. Acho que aprendi muito. Respeito minha trajetória, tenho um carinho por ela, mas o preconceito era mais pesado para as meninas”, declarou.

E aí está o ponto, meus amores. Quando homem fez pornochanchada, virou “fase ousada”, “cinema popular”, “juventude artística”. Quando mulher fez, virou rótulo grudado na testa com cola industrial. A câmera era a mesma, o filme era o mesmo, mas a conta social sempre chegou mais cara para elas.

Aldine contou que ser chamada de Rainha da Pornochanchada teve consequências pessoais duras. “Virei a Rainha da Pornochanchada. Tive que sair da minha cidade. Foi muito ruim para os meus pais. Eles ficaram muito bravos. Só fui redimida quando fui para a Globo”, relembrou.

Eu fechei a janela do quarto porque o calor de Ibiza já estava entrando sem pedir licença, mas confesso que o que esquentou mesmo foi essa sinceridade. Aldine não está vendendo arrependimento embrulhado em pose. Ela está dizendo: fiz, vivi, aprendi, paguei caro e não vou fingir que não aconteceu só para parecer mais palatável.

A atriz ainda criticou o preconceito contra quem vinha da pornochanchada. “As pessoas criaram um rótulo e diziam que a gente sabia tirar a roupa, mas não sabia falar. Falam muito, mas a Pornochanchada não tinha nada demais. Tinha um peitinho, uma bundinha…”, afirmou.

Com passagens posteriores pela televisão, incluindo novelas como Rainha da Sucata, Aldine diz que a ida para a Globo ajudou a mudar a forma como era vista. O curioso, para não dizer conveniente, é que muitos dos homens que também passaram por esse cinema conseguiram atravessar a história com menos cobrança pública.

Do lado de cá, coloquei os óculos escuros na cabeça e fiquei pensando que Aldine não expôs só nomes. Expôs uma engrenagem inteira. A pornochanchada pode até ser tratada por alguns como “filho feio”, mas foi parte da cultura brasileira, deu trabalho para muita gente e revelou talentos que depois desfilaram em horário nobre. Fingir que não aconteceu é fácil. Difícil é ter a coragem de Aldine para olhar para trás sem maquiagem demais.

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