Minha gente, eu estava aqui em Milão, no meio de um briefing sobre campanha de verão, quando o celular começou a explodir com esse “print da CNN”. Parei tudo. Porque quando chega uma coisa dessas, você já sabe antes de abrir: é fake, é transfobia embrulhada em linguagem clínica, e alguém achou que ia passar batido.
O que circulou nas redes foi uma imagem manipulada simulando uma matéria da CNN Brasil afirmando que Erika Hilton, deputada federal pelo PSOL-SP e recém-eleita presidente da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara, teria sido internada às pressas com torção testicular. A CNN jamais publicou isso. A deputada segue em plena atividade parlamentar, com agenda normal, postando, aparecendo, legislando. O print é montagem, técnica velha de alterar código-fonte de página no navegador e tirar foto antes de alguém perceber.
Nas redes, o conteúdo rodou pesado em grupos de WhatsApp e em certos cantos do Twitter antes da checagem do Boatos.org e de outros veículos barrar a circulação. Gente famosa que viu não comentou, não compartilhou desmentido, ficou quietinha. O silêncio estratégico de quem quer que o boato trabalhe por conta própria é um esporte olímpico no Brasil, e a torcida já conhece os atletas.

A leitura aqui dispensa psicanálise sofisticada: Erika Hilton ganha protagonismo, assume a presidência de uma comissão importante, e imediatamente surge uma fake news que usa exatamente a sua identidade de gênero como arma. A lógica é velha, a crueldade é calculada e o alvo foi escolhido com precisão. Não é improviso de troll anônimo, é padrão de ataque coordenado que já se repetiu antes com ela, sempre misturando política com transfobia para tentar desestabilizar a imagem pública da deputada.
O engraçado, se é que tem graça, é que quem criou isso achou que “torção testicular” ia soar como detalhe médico crível. Meu amor, se você vai inventar uma fake news, pelo menos escolhe uma condição que o alvo pudesse ter. Isso aqui nem disfarçado de criatividade veio.