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Kátia Flávia
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Erika Hilton responde Ratinho após fala no SBT e dispara: “Esgoto”

Após Ratinho afirmar ao vivo no SBT que Erika Hilton “não é mulher”, a deputada reagiu nas redes. Às 22h14, depois do programa e da repercussão da fala, ela publicou no X que não está “nem um pouco preocupada” com o que chamou de “esgoto da sociedade”.

Kátia Flávia

12/03/2026 9h23

erika hilton

Foto: Reprodução

Eu estava tentando encerrar a noite com um resto de dignidade, já deitada, celular na mão, fingindo que ia ler só mais uma coisinha antes de dormir, quando a televisão brasileira resolveu me arrastar de volta para o centro do picadeiro. Ratinho fez no SBT um comentário sobre Erika Hilton que já saiu do estúdio com cheiro de confusão nacional, e a resposta da deputada veio depois, com hora marcada e faca afiada.

Durante o programa, Ratinho comentou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados e questionou o fato de uma mulher trans ocupar o cargo. Ao vivo, ele disse que a deputada “não é mulher” e desenvolveu o raciocínio com falas que bateram de frente com a identidade da parlamentar. Eu tive que sentar para processar a cafonice conceitual da cena, porque o Brasil realmente gosta de transformar debate público em espetáculo de auditório.

A repercussão veio rápido, como sempre acontece quando televisão aberta, política e identidade de gênero entram no mesmo ringue. Só que o ponto central da história agora está na resposta. Às 22h14, durante a exibição do programa e da circulação dos trechos nas redes, Erika Hilton foi ao X e reagiu publicamente.

Na publicação, a deputada escreveu que deu “mais um passo na reparação” da própria história e também da história de tantas mulheres que tiveram a dignidade negada. Em seguida, afirmou que a questão trans não é o único fator que determina como uma mulher será tratada ou destratada, e ampliou a discussão ao citar raça, classe, CEP e outras condições que ainda definem quem tem direitos garantidos e quem precisa lutar todos os dias para existir com dignidade.

Meu amor, aí a conversa mudou de patamar. Já não era mais apenas o apresentador dizendo o que pensa no palco em tom de provocação. Erika respondeu reposicionando a própria eleição como símbolo político, social e pessoal. Ela escreveu que ocupou com honra, alegria e um sabor especial de vitória a presidência da Comissão da Mulher, e destacou que essa conquista foi construída enfrentando e derrotando o centrão e a extrema direita.

Foi nesse mesmo texto, publicado às 22h14, que Erika também despejou o trecho mais cortante da reação. Disse que não está “nem um pouco preocupada” se “o esgoto da sociedade” não gostou. Em seguida, cravou que a opinião de “transfóbicos e imbeCIS” é a última coisa que importa para ela. Eu li aquilo com aquela cara de quem percebe que a política brasileira já desistiu de qualquer pudor performático e resolveu operar na base da resposta direta, da frase pronta para viralizar e do embate sem anestesia.

A deputada ainda aprofundou o tom em outra parte da publicação. Disse que fez história por si mesma, por ter tido a adolescência e a dignidade roubadas pelo preconceito e pela discriminação. Também afirmou que fez história por sua comunidade, que ainda enfrenta os piores índices em praticamente todos os aspectos da vida social. E encerrou com uma frase de poder, dessas que entram na timeline já com trilha sonora de final de temporada: “Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher”.

Meus fofoqueiros de elite, eu confesso que adoro analisar esse tipo de cena porque ela revela muito mais do que a briga do dia. Ratinho fala para um Brasil que consome opinião em voz alta, com a gramática rude da televisão popular. Erika responde para um Brasil que disputa narrativa, linguagem, símbolo e espaço de poder em tempo real nas redes. Um fala no palco. A outra devolve na vitrine digital. E nós ficamos no meio desse cruzamento, tomando café frio e tentando acompanhar a velocidade da fritura.

O contexto pesa muito. Erika Hilton assumiu naquele dia a presidência da Comissão da Mulher da Câmara, posto de enorme visibilidade no debate sobre direitos, representação e políticas públicas. Ratinho escolheu atacar justamente esse ponto. Erika, por sua vez, escolheu responder reafirmando a legitimidade da própria vitória e empurrando os críticos para a lata de lixo moral da história. É briga de narrativa com endereço certo, sem véu, sem floreio institucional, sem aquela hipocrisia educadinha que Brasília adora usar de maquiagem.

Eu, Kátia Flávia, que já vi muita gente posar de civilizada de manhã e distribuir cotovelada verbal à noite, digo com tranquilidade de quem lê fofoca como se fosse tratado de sociologia: esse caso deixou de ser só uma polêmica de TV. Virou um retrato bruto do país. De um lado, a velha opinião dita com peito estufado. Do outro, a resposta de quem sabe que ocupar espaço também é enfrentar o barulho que vem junto.

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