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Kátia Flávia
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Epstein tentou comprar agência de modelos no Brasil, troca de e-mails expõe bastidores e empresária reage: “Repugnante”

Documentos revelados nos Estados Unidos mostram que Jeffrey Epstein articulou a compra de agências de modelos brasileiras em 2016 e teve planos barrados por empresários do setor, de acordo com o Global Jornal Extra

Kátia Flávia

04/02/2026 9h30

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Foto: reprodução/Getty Images

Eu achei que já tinha visto de tudo, meus amores, mas o roteiro resolveu escalar um vilão que nunca sai de cartaz. Eis que reaparece Jeffrey Epstein, o bilionário condenado por crimes sexuais, agora tentando meter a mão no mercado de modelos brasileiro, como quem escolhe figurante para um papel obscuro que só existe na cabeça dele.

Os documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que, em agosto de 2016, Epstein passou a negociar a compra de agências de modelos no Brasil por meio do seu intermediário fiel escudeiro, Ramsey Elkholy. Primeiro, a mira foi apontada para a Ford Models Brasil. Depois, o foco mudou para a Joy Models, de São Paulo. Tudo muito organizado, frio, calculado e registrado em e-mails.

Nas mensagens, Elkholy deixa claro que o interesse não era apenas financeiro. Ele fala em acesso às modelos, circulação internacional, facilidades de visto e controle total da operação. Epstein chega a pedir números completos da Joy, pergunta se a compra incluiria toda a agência e demonstra pressa. Pressa costuma ser péssima conselheira, principalmente em histórias desse tipo.

Uma reunião chegou a ser marcada para setembro daquele ano. Não aconteceu. Foi remarcada. Também não aconteceu. O bilionário dizia estar no Caribe, como quem falta a uma reunião de condomínio, mas continua mandando ordens por e-mail. Em outubro, Elkholy escreve que a Joy seria uma opção melhor do que a Ford e ainda solta comentários sobre dívidas e questões fiscais da concorrente, naquele tom de bastidor que mistura negociação com fofoca corporativa.

A reação do lado brasileiro veio com freio puxado e porta batendo. Procurada, a Joy confirmou que houve encontros com o intermediário, mas afirmou que o nome de Epstein nunca foi citado e que a agência jamais esteve à venda. Quem falou com todas as letras foi Liliana Gomes, que descreveu a abordagem como repugnante e disse que recusou qualquer conversa assim que entendeu o contexto. Palmas, porque ali não teve glamour, teve caráter.

Epstein e empresária Liliana Gomes. Foto: Reprodução/The New York State Sex Offender Registry/AFP e Reprodução/Instagram

Do outro lado, a Ford Models também tratou de cortar o assunto pela raiz. O CEO Décio Restelli Ribeiro afirmou que a agência nunca teve relação alguma com Epstein, nunca esteve à venda e que se sentiu pessoalmente ofendido ao ver uma marca com décadas de história associada a interesses que ele classificou como escusos.

Tudo isso veio à tona agora porque, no fim de janeiro, o Departamento de Justiça americano liberou um volume gigantesco de arquivos do caso Epstein. Milhões de páginas, e-mails, documentos, vídeos, imagens e aquele cheiro de coisa mal resolvida que atravessa fronteiras. O material reacendeu o debate público e voltou a ligar o nome do bilionário a figuras poderosas como Donald Trump, Bill Clinton, Bill Gates e o príncipe Prince Andrew, além de intelectuais como Noam Chomsky.

Epstein morreu na prisão em 2019, mas como todo vilão que rende audiência, segue aparecendo em novos capítulos. Neste, o Brasil surge como cenário de uma tentativa que não deu certo, graças a portas que não se abriram e gente que soube dizer não. No meu caderninho, isso se chama livramento.

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