Meus amores, eu tive que sentar para processar porque nem toda pauta precisa vir com barraco, casal em crise e unfollow em praça pública para ter peso de novela de primeira linha. Às vezes, o que chega é uma história séria, necessária e muito bem plantada no mundo real, dessas que pedem menos firula e mais responsabilidade com brilho nos olhos. Foi assim com a EmpoderaDelas, iniciativa idealizada por Jacqueline Meirelles, Miss Brasil de 1987, que ocupou Águas Claras, no Distrito Federal, entre os dias 12 e 14 de março, com uma proposta voltada ao acolhimento e ao fortalecimento de mulheres atravessadas pela violência doméstica.

Jacqueline parte de um ponto que muita gente conhece, mas ainda prefere tratar como assunto de corredor. Mulheres que sofrem violência muitas vezes também perdem autoestima, autonomia e espaço para reconstruir a própria vida. A proposta do projeto é criar uma rede de apoio que ajude justamente nessa virada, com incentivo, conexão e possibilidade de recolocação no mercado de trabalho. Eu gosto dessa ideia porque ela tira a pauta do discurso decorativo, daquele evento que posa bonito para foto, e tenta empurrar a conversa para a prática.
Segundo a idealizadora, a iniciativa articula impacto social, ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, mas sem deixar o texto virar palestra de crachá corporativo com café morno. O ponto central continua muito claro. Acolher, fortalecer e abrir caminhos para que mulheres possam retomar a confiança e reorganizar a própria trajetória. Meu povo, isso tem cara de projeto que quer fazer o serviço completo, com escuta, apoio e ponte para a independência, que é uma palavra chique e uma urgência muito concreta.
O evento contou ainda com a participação de Renata Frota, representando a Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal, e de Bia Portela, presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura de Águas Claras. Bia já desenvolve um trabalho voltado ao empreendedorismo feminino na região, o que ajuda a amarrar melhor a proposta com a realidade local. E aí a história ganha musculatura, porque deixa de ser uma ação isolada e passa a conversar com gente que já está no território, olhando para a mesma ferida e tentando costurar saída.
Eu sei que minha alma noveleira ama um caos bem servido, mas também sei reconhecer uma pauta que mexe no essencial. A EmpoderaDelas entra em cena para lembrar que fortalecimento feminino não pode ficar restrito a frase de painel e legenda de LinkedIn com filtro bege. Tem mulher querendo recomeçar com dignidade, renda e rede de apoio. E isso, meu bem, tem muito mais força do que muito discurso que vive desfilando por aí de salto alto e conteúdo oco.