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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Elas comandam os bastidores dos maiores shows do país — e faturam milhões

ARCA, NS Operações e Audiobizz mostram como infraestrutura, capital humano e técnica especializada sustentam a experiência de grandes festivais.

Kátia Flávia

05/03/2026 18h00

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Quando as luzes se apagam e o público vibra com os primeiros acordes de um show, uma engrenagem silenciosa e altamente lucrativa já está operando há meses. O mercado brasileiro de entretenimento deixou a era do improviso para entrar na fase da engenharia de precisão. No centro dessa revolução, lideranças femininas transformam o aparente caos logístico em negócios de altíssima rentabilidade. Os números provam: empresas como a NS Operações alcançaram R$ 4,7 milhões em faturamento gerenciando equipes para mais de mil eventos ao ano, enquanto a ARCA transformou um galpão industrial em um espaço multiuso que sustenta mais de 50 toneladas de equipamentos suspensos – o bastante para projetos globais, e a Audiobizz garante a técnica de mega festivais pesados como Knotfest e Summer Breeze.

A grande arquiteta dessa nova realidade operacional no Brasil atende pelo nome de Raquel Boletti. Fundadora da NS Operações, ela percebeu antes de muitos que a maior falha do mercado de entretenimento estava em tratar pessoas como peças substituíveis. Ao lado de profissionais de peso como Carol Ramos na gestão de venue e Aline Duda na técnica de palco, Boletti redefiniu o padrão de entrega e provou que a verdadeira experiência do cliente é construída com governança e mitigação de riscos, muito antes da abertura dos portões. Já Patricia Kanji, Diretora Técnica e Produtora Geral da Só Track Boa, tem em seu portfólio expertise de grandes eventos.

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Carol Ramos – Foto: Divulgação

O fim do improviso e a ascensão da inteligência humana

A NS Operações nasceu e escalou sob a premissa de que a mão de obra em eventos precisava deixar de ser um custo básico para se tornar um ativo estratégico. Após superar a dissolução de uma sociedade e o apagão do setor em 2020, Raquel Boletti reestruturou sua empresa com foco exclusivo na alta demanda e na capacitação extrema, saltando para 1.122 realizações em 2025.

Esse crescimento exponencial não foi obra do acaso. A NS criou um ecossistema completo que aplica metodologias de excelência em atendimento. “Um dos nossos principais diferenciais no mercado é o investimento contínuo no treinamento e capacitação do nosso time. O staff conhece a história da NS, compreende as principais funções e recebe orientações sobre atendimento com referência no padrão Disney”, destaca a empresa em seus balanços.

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Carol Ramos – Foto: Divulgação

Essa hiperespecialização criou um escudo técnico intransponível. Boletti relata que o domínio absoluto dos processos operacionais é a melhor resposta contra questionamentos de gênero no ambiente corporativo. A preferência por lideranças femininas em 90% dos cargos de comando da sua empresa reflete a busca por profissionais com visão analítica aguçada e capacidade de executar múltiplas tarefas simultaneamente.

O peso da infraestrutura

A visão de Raquel sobre a inteligência humana encontra seu par perfeito na infraestrutura brutalista comandada por Carol Ramos. CEO da ARCA, Ramos gerencia um galpão de 9 mil metros quadrados na Vila Leopoldina, em São Paulo. O local, que antes abrigava a Metalúrgica Atlas, foi convertido em um espaço de referência para o setor de eventos, recebendo desde eventos corporativos, convenções e feiras até diversos dos maiores artistas da música.

Garantir o fluxo seguro de milhares de pessoas sob toneladas de equipamentos exige uma gestão que funde a precisão da engenharia civil com a sensibilidade da curadoria de arte. Ramos destaca que liderar nesse ambiente significa transformar o caos em um método rigoroso. A estratégia não depende de um evento isolado, mas da construção de processos sólidos que atraiam projetos globais de tecnologia, arte, negócios e música eletrônica o ano inteiro. Assim como na operação de Boletti, a resposta de Ramos foca na consistência: ocupar espaços de poder exige a imposição natural de critérios técnicos inquestionáveis.

Patricia Kanji traz uma visão complementar sobre a necessidade de “frieza” para sobreviver no caos. “Gerenciar projetos e equipes exige postura e tomadas de decisão que, muitas vezes, vão desagradar. Acabo passando uma imagem fria, mas é fundamental para gerenciar crises. Não dá para ganhar todas, o foco é o que funciona para o projeto.”

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Aline Duda – Foto: Divulgação

Diversidade e legado

O impacto dessas empresas vai além do lucro. A NS Operações apresenta indicadores de diversidade que muitas multinacionais ainda lutam para alcançar: 56% dos colaboradores se declaram pretos ou pardos e 71% se identificam como LGBTQIA+. Para Boletti, o negócio evoluiu de uma necessidade de sobrevivência para uma plataforma de ascensão social.

Para Patrícia Kanji, o legado está na construção orgânica de times que se tornam família. “Na música eletrônica, o ambiente é acolhedor e democrático. Com o tempo, um aprende com o outro”, diz ela.

A técnica implacável nos palcos de grande porte

Se a infraestrutura abriga o público e a operação garante a segurança, o espetáculo em si depende da técnica de palco. É nesse cenário de alta pressão que Aline Duda atua. À frente da Audiobizz e da FDM Produções, ela desbrava territórios historicamente masculinizados e rústicos, como os festivais de Heavy Metal e Rock.

Com presença confirmada na liderança técnica de gigantes nacionais e internacionais, além de shows como o do Simply Red, Aline transforma ambientes de altíssima tensão em espaços orquestrados.
“Ainda hoje a presença masculina é o maior peso em cima dos palcos, mas o que me enche de orgulho é ver cada vez mais mulheres interessadas em estarem preparadas para viverem os seus sonhos em funções antes vistas somente para homens. Hoje é comum ver stage managers, roadies, técnicas de iluminação, de áudio e riggers. São mulheres guerreiras que foram atrás e conseguiram seu espaço sob um refletor”, relata Aline. Para ela, a presença feminina altera a própria dinâmica de trabalho: “Torna o ambiente mais respeitoso e organizado, ajudando a fluir todas as áreas”.

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Patrícia Ramos – Foto: Divulgação

O impacto financeiro e a força da diversidade

O futuro dos grandes eventos globais passa obrigatoriamente pela excelência técnica e pelo impacto social dessas executivas. O sucesso financeiro dessas operações estabelece metas que multinacionais ainda lutam para alcançar, provando que a diversidade é um dos maiores impulsionadores de performance do mercado moderno.

Na NS Operações, por exemplo, os dados de 2025 mostram que 56% dos colaboradores se identificam como pessoas pretas ou pardas e 71% fazem parte da comunidade LGBTQIA+. A injeção de R$ 3 milhões em cachês na base da pirâmide fomenta diretamente a economia local, enquanto o plano de carreira permite que profissionais subam de nível e atendam turnês internacionais.

O mercado abandonou a informalidade e passou a exigir rentabilidade comprovada. Sob a batuta de executivas especializadas, o controle irrestrito das engrenagens garante que o verdadeiro espetáculo seja, em qualquer lugar do mundo, negócio perfeito.

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Carol Ramos – Foto: Divulgação

Raio X do mercado e lideranças

O panorama dos negócios revela a força dessas operações no cenário atual. A NS Operações e a NightShift, sob a liderança de Raquel Boletti, registraram um faturamento de R$ 4,7 milhões em 2024, considerando apenas a operação bruta principal. O volume de entregas alcançou a marca de 1.122 eventos realizados ao longo de 2025, atendendo a demandas nacionais e internacionais. O grande diferencial global da empresa é a sua especialização operacional aliada à diversidade, com 71% de representatividade LGBTQIA+ e a injeção de R$ 3 milhões em remunerações.

Por sua vez, a ARCA, comandada por Carol Ramos, têm como ativo principal um espaço imobiliário de 9.000 metros quadrados com capacidade de carga suspensa de mais de 50 toneladas, focado em receber grandes projetos globais e eventos corporativos de alta relevância e tecnologia. Já na técnica implacável dos bastidores, a Audiobizz e a FDM Produções, lideradas por Aline Duda, têm como especialidade a coordenação técnica e o stage management em festivais internacionais de rock e metal de altíssima complexidade.

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