Gente , eu tive que sentar no chão para processar porque essa história tem a elegância de um camarim pegando fogo e a sutileza de um carro de som quebrado. A criatura não é da família Bolsonaro, não tem laço de sangue, não saiu da árvore genealógica, não apareceu em álbum de Natal, mas pegou o sobrenome para fazer carreira política como quem pega bolsa emprestada para entrar em festa cara. Fabiana de Lima Barroso Souza virou Fabiana Bolsonaro no altar da conveniência eleitoral e foi vendida ao eleitorado como se fosse filial autorizada de uma marca já conhecida no mercado da gritaria.

A biografia ajuda a entender o truque. Filha de Adilson Barroso, figura antiga da direita conservadora paulista, ela nasceu no interior, foi vice-prefeita de Barrinha e já vinha se moldando nesse discurso de fé, família, costume, moral e toda essa prateleira de palavras embaladas para consumo rápido da base mais raivosa. A guinada veio em 2022, com a troca do nome político de Barroso para Bolsonaro, numa jogada que não exige nem consultor muito brilhante para ser compreendida. O sobrenome funcionava como atalho, senha, outdoor ambulante e carimbo ideológico para quem queria colar no ex-presidente sem precisar dividir DNA.
E eu vou te falar, meu bem, isso por si só já tem um perfume fortíssimo de oportunismo de quinta categoria. Porque uma coisa é defender uma linha política, outra é vestir um sobrenome como fantasia eleitoral e sair por aí fingindo parentesco simbólico para ganhar voto no grito. É tudo muito calculado, muito marketeiro, muito “olha para mim, eu sou a continuação oficial do delírio”. Depois de eleita, ela passou a ocupar esse papel de voz estridente da ala mais radical, sempre pronta para atacar direitos de mulheres, de pessoas LGBTQIA+ e qualquer pauta que não caiba no catecismo raivoso da extrema direita.
Aí chegamos ao ponto em que a farsa vira escândalo com luz de plenário. Porque depois de fazer carreira em cima de sobrenome emprestado, Fabiana resolveu subir o tom e transformar a Alesp em teatro de humilhação política. Esse tipo de figura adora se vender como corajosa, firme, autêntica, mas a verdade é bem mais cafona. Vive de performance, de provocação grotesca, de discurso pensado para viralizar no cercadinho mais barulhento e render manchete na base do horror. Não entrega debate, entrega cena. Não entrega argumento, entrega espasmo ideológico com maquiagem de bravura.
O que mais me impressiona nem é a audácia de usar o nome dos outros para subir na vida pública. É a desfaçatez com que isso é feito em plena luz do dia, sem um pingo de vergonha, como se o eleitor fosse figurante burro de reality ruim. Fabiana virou Bolsonaro no nome, mas o pacote completo parece ter vindo junto, o gosto pela confusão, o culto à baixaria institucional e essa mania de achar que mandato é licença para ser ridícula em rede aberta. Eu olho para essa trajetória e vejo uma carreira montada com sobrenome de aluguel, radicalismo performático e fome de palco. E isso, meus amores, é menos liderança política e mais cosplay de poder com verba pública.