Eu já justifiquei meu voto porque estou em Portugal. Tudo resolvido. O que eu não tinha previsto era precisar justificar também o tempo que passei olhando a foto que minhas amigas de Porto Alegre começaram a me mandar logo cedo.
Uma mandou. Outra reforçou. A terceira ampliou. Minhas amigas gaúchas viraram uma central de distribuição de Eduardo Leite sem camisa.
E eu, jornalista séria (sic) , fui apurar.
A cena aconteceu na reta final da campanha de Gabriel Souza, candidato do MDB ao governo do Rio Grande do Sul e atual vice de Leite. O governador apareceu correndo sem camisa, segurando uma enorme bandeira verde com o número 15 e os nomes de Gabriel e Ernani Polo.
Foi campanha eleitoral com abdominal.
E não foi um apoio protocolar. Gabriel chega ao primeiro turno em terceiro lugar nas pesquisas mais recentes, atrás de Luciano Zucco e Juliana Brizola. Ou seja: na última curva, Eduardo Leite resolveu colocar o próprio corpo na rua com bastante ênfase no corpo.
Aqui em Sintra, eu abri a foto e fiquei passada.
Depois chocada.
Depois ampliei.
Porque uma coisa é o governador pedir voto. Outra é pedir voto daquele jeito. Eduardo Leite poderia ter colocado uma camiseta com o 15, gravado um vídeo, feito carreata, subido em palanque. Preferiu correr de peito de fora carregando uma bandeira gigantesca do candidato.
Minhas amigas de Porto Alegre, evidentemente, esqueceram a análise eleitoral em aproximadamente quatro segundos.
“Olha isso.”
“Você viu?”
“AMIGA.”
Vi, minhas filhas. Estou a milhares de quilômetros do Rio Grande do Sul, mas a informação chegou a Sintra em altíssima resolução.
Politicamente, o gesto também diz muito sobre o tamanho da aposta. Leite está nos últimos meses de seu segundo mandato e escolheu Gabriel, seu vice, para tentar dar continuidade ao grupo no comando do Estado. Com o candidato atrás dos dois principais adversários na reta final, o governador entrou pessoalmente na campanha até o último momento.
Pessoalmente mesmo.
Agora estou aqui em Sintra tentando retomar minha dignidade jornalística, enquanto aquelas fofoqueiras de quinta categoria de Porto Alegre continuam alimentando meu WhatsApp.
E vou dizer uma coisa: se a intenção era chamar atenção para o 15, chamou.
Só não tenho certeza de que todo mundo tenha olhado primeiro para a bandeira.