Amigas, eu sou dessas que sente o cheiro do climão antes mesmo de abrir a matéria. E esse evento no Rio Grande do Sul tinha tudo para ser burocrático, técnico, cheio de sigla e discurso lido. Só que entrou Eduardo Leite, o galã institucional do Sul, e a plateia resolveu virar figurante revoltado.
Eu vi e pensei. Lá vem cena.
O governador começou a falar e foi recebido com vaia. Não foi aquela vaia tímida, educada, de quem se arrepende depois. Foi vaia de plateia que acha que está em ato político e esquece que é cerimônia oficial. Eduardo parou, respirou e resolveu responder ali mesmo, olhando para o público como quem encara a câmera no capítulo decisivo.
“Esse é o amor que venceu o medo?”
Pronto. A frase saiu andando sozinha e virou protagonista.
A partir dali, o discurso virou desabafo com verniz institucional. Eduardo pediu respeito ao cargo, lembrou que estava ali cumprindo função pública e frisou que tanto ele quanto o presidente foram eleitos pelo mesmo povo. Falou que aquilo não era comício, era agenda oficial, e deixou claro que hostilizar quem pensa diferente só piora a polarização.

Eu, Kátia Flávia, já vi esse tipo de cena em novela, em reality e em jantar de família que começa em paz e termina com gente levantando da mesa. O roteiro é conhecido. Um personagem tenta manter a postura enquanto o ambiente pede barraco. Nem sempre dá certo.
Depois, Eduardo ainda comentou que esse tipo de reação alimenta rancor, mágoa e divisão. Usou o discurso da união, do respeito entre poderes e da convivência democrática. Tudo muito sério, tudo muito pensado para repercutir além daquele salão.
Enquanto isso, Lula seguia como o presidente da cena, participando da assinatura de contratos da Petrobras para construção de navios, empurradores e barcaças. Um evento que deveria render nota técnica acabou rendendo manchete política com frase de efeito.