Agora deixa eu te contar isso do meu jeito, porque eu, Kátia Flávia, fiquei levemente emocionada e moderadamente dramática. Edu Lyra, que eu apelidei de CEO do Capítulo Virado, resolveu fazer o que muita celebridade sonha e pouca gente tem coragem. Virar personagem de livro infantil. Sim, meu amor, com ilustração, capa colorida e tudo.
O livro se chama Não importa de onde você vem, e sim para onde vai e chega às livrarias com o selo tatu-bola da Editora Planeta. A obra apresenta a trajetória de Edu Lyra em versão acessível para crianças a partir de 7 anos, com texto pensado para formar leitor e consciência ao mesmo tempo. Nada de papo empolado, aqui a história anda, tropeça, levanta e segue.
Edu, que fundou a Gerando Falcões, aparece como protagonista de uma jornada que começa na favela, passa por visitas ao pai no sistema prisional e chega ao empreendedorismo social de alto impacto. Eu chamo isso de arco de personagem digno de final de novela das nove, só que ilustrado e com menos intervalo comercial.
A escrita vem assinada também por Michelle Thoms, pedagoga com longa experiência em educação infantil, e pelo ilustrador Rogério Barreto, que dá forma visual a uma história que poderia virar até animação, se alguém de streaming estiver lendo esta coluna com atenção.
O livro mostra como Edu construiu seus objetivos e criou uma das ONGs mais influentes do país. Hoje, os programas da Gerando Falcões impactam cerca de 1 milhão de pessoas, formam lideranças sociais e atuam em milhares de comunidades. Tudo isso aparece de forma lúdica, com ilustrações vivas e narrativa direta, sem aquele tom professoral que faz criança fugir para o videogame.
Na ficha técnica, são 48 páginas, ISBN registrado, preço de capa de R$ 64,90 e uma clara intenção editorial. Entrar nas escolas, nas casas, nas mochilas e nas conversas de família. Edu Lyra entendeu que formar adulto começa muito antes do LinkedIn.
Como boa fofoqueira culta, eu observo o movimento com atenção. Livro infantil virou território disputado por educadores, marcas pessoais e projetos sociais que querem plantar ideia cedo. Edu entrou nesse jogo com a própria história, sem terceirizar narrativa e sem disfarçar origem.
Anota esse plot twist. O menino da favela agora conversa direto com o leitor mirim. E eu, Kátia Flávia, já estou imaginando a sessão de autógrafos cheia de crianças, professores e adultos emocionados fingindo que compraram o livro para o sobrinho.