Amores , sabia disso desde a madrugada de sábado. Uma fonte minha, que estava perto do Jardim Botânico naquela noite, me ligou ainda com a adrenalina na voz enquanto o Rio inteiro estava na Avenida Atlântica com a Shakira. Eu segurei, porque havia pedido para segurar, porque havia gente envolvida que eu respeito e porque esse tipo de história merecia ser contada com cuidado. Acontece que o cuidado chegou ao limite: o comunicado estourou, o Rio tomou conhecimento, os vídeos circularam, e fofoqueira que se preza não fica explicando por que ainda não falou. Fala.
Na noite do show da Shakira na Avenida Atlântica, com o Rio em festa e os olhos do mundo voltados para cá, um grupo formado pelo músico Eduardo Motta, o Ed Motta, pelo empresário Diogo Coutinho do Couto, dono dos restaurantes Escama e Henriqueta, e por um primo deste último, transformou o Grado, no Jardim Botânico, num episódio que a Polícia Civil agora investiga. O estopim foi a recusa de uma cortesia na taxa de rolha. O que se seguiu foram xingamentos com referências pejorativas à origem nordestina de funcionários, insinuações sobre orientação sexual da equipe, uma cadeira arremessada contra um garçom de costas, um esbarrão de Ed Motta em uma cliente de outra mesa, soco em cliente sentado e garrafa magnum lançada contra a cabeça de um homem que tentava sair, causando sangramento imediato. O grupo foi embora antes da polícia chegar. Um dos homens ainda insinuou estar armado.
O comunicado devastador do chef Nello Garaventa e de sua mulher, Lara Atamian, foi enviado à colunista Luciana Fróes, do O Globo, com um detalhe que muda o peso de tudo: as câmeras de segurança do Grado registraram a sequência inteira. O casal não estava no restaurante naquela noite, soube dos fatos pelos funcionários ao voltar, e ficou pasmo com o que viu nas imagens. O Grado existe há quase uma década, construído com trabalho sério num dos endereços mais disputados da Zona Sul. Ed Motta era cliente frequente e alega nunca ter sido cobrado pela taxa de rolha antes. Credita sua explosão ao fato de um funcionário tê-lo encarado com cara de ironia. Esse contexto não muda uma vírgula do que as câmeras gravaram.


Pressionado pela repercussão, Ed Motta foi ao O Globo admitir que estava bêbado, que se descontrolou e que jogou uma cadeira, mas “no chão, não em direção ao funcionário”. Afirmou ainda que saiu antes de a confusão escalar e que o resto foi entre quem ficou na mesa e os clientes da mesa vizinha. Os vídeos do circuito interno circularam rapidamente e mostram, no mínimo, o arremesso da cadeira com nitidez. Diogo Coutinho do Couto, cujos restaurantes frequentam as listas dos mais badalados do Rio, ficou em silêncio público. O Grado informou que está prestando suporte jurídico e assistencial aos funcionários afetados e que buscará responsabilização judicial.
Acompanho o Rio e sua alta sociedade há décadas, vi muita treta de gente muito bem frequentada, e sei distinguir briga de botequim de covardia com escudo de fama. Intimidar funcionário nordestino com insinuação de arma, arremessar garrafa magnum na cabeça de inocente e fugir antes da polícia chegar num dos restaurantes mais respeitados da cidade tem um nome que Ed Motta, em toda a sua lucidez pós-bebedeira, não usou na entrevista. A reputação de quem estava naquela mesa já saiu do Grado antes da polícia. A questão agora é saber se algum dia vai voltar.
Confira o vídeo: