Xuxa voltou a comentar os antigos boatos de que teria feito um pacto com o diabo para alcançar fama e sucesso. A apresentadora compartilhou um vídeo sobre a origem dessas histórias e deixou uma resposta curta, mas afiada: “Pois é… e Deus, que me deu tudo, fica onde nessa história?”.
Eu tinha acabado de colocar a omelete no prato quando vi a publicação e sentei à mesa sem mexer no garfo. Porque essa fofoca atravessou décadas, alimentou medo em muita gente e continua ressurgindo como se o trabalho de uma mulher fosse menos crível do que qualquer invenção sobrenatural.
No vídeo repostado por Xuxa, o autor afirma que a história teria começado em setores religiosos e se espalhado sem provas. A reflexão é direta: quando uma mulher chega a um nível gigantesco de fama, dinheiro e influência, parte do público parece preferir buscar magia e pacto a reconhecer talento, dedicação e anos de carreira.

Eu cortei um pedaço da omelete e pensei que a conta é bem simples. Xuxa trabalhou em televisão, música, cinema, publicidade e construiu uma relação enorme com o público infantil brasileiro. Mas, para muita gente, era aparentemente mais fácil imaginar uma história de terror do que aceitar uma profissional bem-sucedida.
Os rumores acompanharam a apresentadora sobretudo a partir dos anos 1980 e 1990, quando ela virou um dos maiores fenômenos da cultura pop brasileira. Fitinhas, correntes, teorias em programas de TV e conversas de família fizeram o resto. A mentira ganha pernas quando encontra gente disposta a carregá-la.

Eu já tinha deixado o prato quase vazio quando reli a frase dela. “E Deus, que me deu tudo, fica onde nessa história?” Não foi uma resposta raivosa, nem uma tentativa de reabrir cada capítulo desse boato. Foi um lembrete firme de que fé não deveria ser usada para demonizar a trajetória de ninguém.
A postagem também reacende uma discussão antiga: por que mulheres famosas, poderosas e independentes tantas vezes viram alvo de lendas que tentam explicar seu sucesso como algo suspeito?
Com Xuxa, a fantasia foi tão repetida que quase ganhou status de memória coletiva.
Eu lavei o prato e deixei a pia organizada, mas essa história ficou ecoando. Xuxa não precisa provar a origem de sua carreira para quem cresceu vendo seu trabalho. O que ela fez agora foi só colocar o boato no lugar que merece: longe da realidade e bem abaixo de uma vida inteira de trabalho.