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Kátia Flávia
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Dudalina leva Leandro Lima à Puglia e aposta no verão mediterrâneo

Marca catarinense escolheu o salto do Mar Adriático para vender elegância descomplicada. E colocou um galã de novela dentro de um linho bege para garantir que ninguém desviasse o olhar.

Kátia Flávia

20/07/2026 12h14

Dudalina escolheu a Puglia como cenário da campanha de Verão 2027 com Leandro Lima e Flávia Lucini.

Dudalina escolheu a Puglia como cenário da campanha de Verão 2027 com Leandro Lima e Flávia Lucini.

Eu estava chegando em São Paulo, ainda com o casaco de Campos do Jordão na mão depois de um fim de semana daqueles que a gente não quer que acabe, quando o telefone tocou. Do outro lado, uma amiga que trabalha com moda e que sempre sabe das coisas antes de mim: “Você viu onde a Dudalina foi parar?” Foi parar na Puglia, meus amores. No calcanhar da bota italiana, entre muros de pedra caiada e buganvílias que parecem ter sido plantadas por um diretor de arte.

A campanha de Verão 2027 tem Leandro Lima como rosto principal, o mesmo que o Brasil inteiro assistiu em Pantanal e depois em Terra e Paixão. Ao lado dele, a top model Flávia Lucini, que já desfilou para a Victoria’s Secret e estrelou campanhas internacionais como a da Clarins. A dupla foi fotografada na Masseria Marzalossa, em Fasano, uma residência do século XVII que virou hotel boutique, e também em Monopoli, aquela cidadezinha à beira-mar de porto de pescadores e ruas de pedra que ainda preservam a arquitetura do sul da Itália. As imagens são de Mario Vitti, pupilo de Giampaolo Sgura, um dos nomes mais fortes da fotografia de moda italiana, com beleza assinada por Andrew Guida.

A marca aposta no lifestyle mediterrâneo para apresentar sua nova coleção.
A marca aposta no lifestyle mediterrâneo para apresentar sua nova coleção.

Agora vamos ao que interessa de verdade. A Dudalina passou anos sendo a marca da camisa social do executivo brasileiro, aquela peça que ia do escritório ao almoço de domingo sem grande alarde. O que essa campanha mostra é uma marca cansada de ser levada a sério só pelo colarinho. Escolher a Puglia não é escolha turística, é escolha de posicionamento: a região virou, nos últimos anos, o endereço preferido das grifes que querem falar de luxo sem falar de ostentação, o oposto exato de Capri e da Costa Amalfitana, já saturadas de Instagram. Linho, listra fina, alfaiataria em tom areia. É sofisticação que não grita.

E a escolha de Leandro Lima tem uma inteligência que merece aplauso. Ele carrega o capital afetivo de dois folhetins que o país inteiro assistiu, mas nunca foi vendido como galã de academia. É o tipo de homem que o consumidor da Dudalina consegue imaginar sendo, e não apenas admirando de longe. Flávia Lucini entra na equação trazendo a chancela internacional que a marca precisa para se apresentar como global sem soar pretensiosa. Juntos, eles não vendem uma coleção, vendem a fantasia de um verão em que ninguém está suando.

O que eu levo dessa história é que a moda brasileira finalmente entendeu que não precisa pedir licença para se sentar à mesa italiana. A Dudalina foi lá, alugou a Masseria Marzalossa do século XVII e voltou com um ensaio que qualquer marca europeia assinaria embaixo. Enquanto isso, eu volto para o Rio de Janeiro com uma certeza incômoda: preciso urgentemente de uma camisa de linho listrada e de uma passagem para Monopoli. Não necessariamente nessa ordem.

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