Drake lançou três álbuns de surpresa no mesmo dia, e eu estava no Cosme Velho já com as unhas secas, testando se podia finalmente encostar no controle remoto sem destruir a obra da manicure, quando o celular avisou: não era um disco, eram três. Amores, eu vinha de Michael Jackson dominando o Spotify, moonwalk mental na sala e cheirinho de final de novela no ar, mas Drake resolveu chegar com 43 faixas de uma vez, como quem entra numa festa carregando não uma mala, mas o closet inteiro.
O rapper havia prometido o lançamento de “Iceman”, mas surpreendeu os fãs nesta sexta-feira (15) ao liberar também os álbuns “Habibti” e “Maid of Honour”. No total, os três projetos somam 43 músicas, com participações de nomes como Central Cee, 21 Savage e PARTYNEXTDOOR.


“Iceman” é o maior dos trabalhos, com 18 faixas, e tem uma pegada mais voltada ao rap e ao hip-hop. “Habibti” aposta em uma sonoridade mais próxima do R&B, enquanto “Maid of Honour” traz referências de dance music. Ou seja: Drake abriu buffet musical completo, com entrada, prato principal e sobremesa para fã nenhum reclamar de fome.
Os lançamentos são os primeiros grandes projetos do artista desde a treta pública com Kendrick Lamar, que marcou o rap em 2024. E, como nada no universo Drake vem sem legenda escondida, algumas letras já estão sendo interpretadas como possíveis indiretas ao rival e a artistas que teriam ficado do lado de Kendrick durante a disputa.
Em uma das faixas, Drake parece acusar Kendrick de usar Compton, sua cidade natal, como cenário de caridade enquanto vive uma realidade de celebridade longe dali. A cutucada reacendeu a memória da briga entre os dois, que começou como disputa de grandeza no rap e virou uma das rivalidades mais comentadas da música recente.
A rixa entre Drake e Kendrick Lamar ganhou força em 2024, quando os dois trocaram músicas com ataques diretos, ironias e acusações graves. O embate mobilizou fãs, críticos e artistas, transformando cada lançamento em capítulo novo de uma novela que o rap acompanhou como final de campeonato.
Antes da briga, os dois já tinham colaborado em faixas como “Buried Alive Interlude”, “Poetic Justice” e “F**kin’ Problems”. A relação começou a azedar em 2013, depois de Kendrick citar Drake e outros rappers em “Control”, faixa de Big Sean que virou marco de provocação no hip-hop.
Desde então, a rivalidade cresceu aos poucos, passou por indiretas, respostas, teorias de fãs e chegou ao ápice em 2024, quando os artistas lançaram faixas em sequência, uma respondendo à outra. Drake, agora, parece não ter enterrado completamente o assunto. Pelo contrário: se depender desses novos discos, a pá ainda está na mão.
Agora me dá licença que eu vou trocar a playlist da casa antes que minhas amigas cheguem achando que a noite é só novela e espumante. Drake despejou três álbuns de uma vez na praça, e meu Cosme Velho virou central de triagem musical com taça separada, celular apitando e fofoca fresca no ar. São 43 faixas, três humores e uma vontade evidente de lembrar ao mundo que treta no rap também é estratégia de lançamento. Prometeu “Iceman”, entregou avalanche. E eu, que só queria preparar a sala, acabei montando um festival no Bluetooth.