Eu estava em Cascais, tentando decidir se tomava mais uma bica ou se voltava logo para Sintra, quando apareceu no meu celular uma declaração de Douglas Ruas sobre o Carnaval do Rio de Janeiro. Minha gente, quase engasguei! O homem resolveu mexer justamente naquele território onde político adora aparecer: os camarotes da Sapucaí.
Em entrevista à News, Douglas Ruas, apresentado como governador eleito do Rio de Janeiro, afirmou que pretende manter os recursos destinados às escolas de samba e aos profissionais da cultura. Mas avisou que, em seu governo, os camarotes oficiais destinados a políticos e amigos de políticos terão os dias contados.
E aqui começa a parte deliciosa dessa história. Porque uma coisa é financiar quem coloca o Carnaval na avenida. Outra, completamente diferente, é bancar espaço privilegiado para autoridade assistir ao desfile. E Ruas resolveu colocar essa distinção na mesa.
“Não vai ter mais camarote do governo do estado para político e amigo de político. O recurso para quem faz o Carnaval, que são as escolas e os fazedores de cultura, está garantido”, declarou.
O político também rebateu informações de que pretendia cortar os recursos das escolas de samba. Classificou a história como fake news e afirmou que sua proposta é acabar com os privilégios dos camarotes governamentais, preservando o apoio aos profissionais responsáveis pela festa.
Agora, minhas filhas, prestem atenção no recado que ele mandou para quem está acostumado a circular pela avenida com credencial especial:
“A autoridade que quiser ir para a Sapucaí vai fazer como todo cidadão comum: comprar seu ingresso.”
Pois é, meus amores. Se a promessa sair do discurso e virar realidade, vai ter muito figurão descobrindo que ingresso de Carnaval também se compra. Porque desfilar com dinheiro público é uma coisa. Assistir ao desfile por conta própria é outra.
E eu aqui em Portugal pensando que o verdadeiro enredo dessa história pode ser justamente esse: o dia em que o político descobrir que a bilheteria da Sapucaí também atende autoridades.