Agora senta que lá vem a Kátia Flávia, porque isso aqui não é política externa, é barraco internacional com legenda em letras garrafais.
Eu acordei, abri o celular e dei de cara com Donald Trump chamando Robert De Niro de doente e demente. E olha, meus amores, quando um ex presidente resolve tretar com um ícone de Hollywood, a democracia até tenta passar batom, mas o roteiro já virou novela das nove.
Tudo começou porque De Niro resolveu fazer aquilo que ele ama desde sempre, falar, provocar, cutucar o sistema como quem entra em cena já esperando o close. Pediu que os americanos resistissem, criticou a liderança de Trump e deixou claro que não está ali só pra ganhar Oscar, está pra ganhar discussão de bar político também.
Trump, claro, não deixou barato. Foi direto à sua rede social preferida e disparou como se estivesse num reality show de confinamento sem filtro. Chamou o ator de doente, disse que ele não sabe o que fala, jogou a carta do QI baixo e ainda sugeriu que algumas falas seriam criminosas. Tudo isso digitado com aquele dedinho nervoso que já virou personagem fixo da cultura pop.

Eu confesso que achei tudo muito simbólico. De um lado, o ator que construiu carreira fazendo mafioso, psicopata e anti herói intenso. Do outro, o político que fala como vilão de filme B que acha que está num blockbuster eterno. É quase um crossover maluco entre O Poderoso Chefão e Aprendiz Celebridade.
De Niro respondeu como quem já cansou de explicar o óbvio. Disse que Trump está destruindo o país, questionou seus motivos e ainda soltou aquele comentário que dói mais do que tapa de luva branca. Chamou de doentio. Aí pronto. Hollywood fechou a bolsa, Washington levantou a sobrancelha e a internet fez pipoca.
O que me diverte, e também me assusta, é ver política virar entretenimento e entretenimento virar munição política. Trump fala como influencer irritado. De Niro reage como ator que não saiu do personagem. E o público assiste tudo como se fosse mais um episódio semanal, com torcida organizada e comentários venenosos.