Giane Alves, modelo baiana de 32 anos, morreu após passar mal durante uma consulta de rotina do filho caçula. Segundo seu agente, Miguel Crispim, ela sofreu um infarto agudo do miocárdio e foi atendida no hospital, mas não resistiu. Giane deixa o marido e dois filhos, sendo um bebê de pouco mais de um mês.
Eu estava caminhando pela Rua das Padeiras, em Sintra, quando parei sob uma marquise para escapar da garoa e li a trajetória dela. E ali eu entendi que a notícia não era só sobre uma morte precoce: era sobre uma mulher que saiu de um distrito baiano para atravessar as grandes passarelas do mundo.

Giane nasceu no distrito de Alegre, em Condeúba, na divisa da Bahia com Minas Gerais. Antes de ser modelo, trabalhou como frentista em um posto de gasolina em São Paulo e foi justamente ali, abastecendo carros, que chamou a atenção de uma olheira.
Eu segurei a bolsa junto ao corpo e fiquei imaginando a cena. A moça estava trabalhando, vivendo a vida comum de tanta gente que chega a São Paulo para vencer, quando alguém enxergou nela um caminho que ela mesma ainda não conhecia. Giane tinha medo do mercado da moda e precisou de incentivo para fazer os primeiros testes.
A carreira ganhou força rápido. Ela desfilou na São Paulo Fashion Week, trabalhou em Nova York, Londres, Milão, Alemanha e Portugal e fez editoriais para publicações como Vogue, L’Officiel e Elle.
Eu segui pela calçada molhada, olhando as pessoas passarem depressa, e pensei no tamanho desse salto: de frentista a modelo global, com o mundo inteiro de olho nela. Mas, depois de anos entre São Paulo e outras capitais, Giane escolheu uma rota mais silenciosa.
Ela decidiu voltar ao interior da Bahia para viver perto da família e criar os filhos longe da agitação. Segundo o agente, a modelo buscava uma vida mais tranquila, saudável e próxima de quem amava. Não era fuga da carreira; era escolha de prioridade.
Eu parei diante de uma vitrine e fiquei em silêncio. Giane tinha dado à luz ao segundo filho havia pouco mais de um mês e, de acordo com Miguel Crispim, não apresentava sinais clínicos anteriores. A gravidez havia corrido bem, e a notícia deixou amigos, familiares e admiradores em choque.

A trajetória de Giane Alves fica como uma dessas histórias que parecem roteiro, mas são feitas de trabalho, coragem e uma oportunidade agarrada no momento certo. Eu deixo o guarda-chuva fechado por enquanto: não há comentário debochado que caiba aqui, só o respeito por uma vida que foi muito além da imagem de uma passarela.