Manas, anota esse nome porque ele vem com força e verdade. Janaína Gazoni, capixaba de Alegre, no Espírito Santo, atravessa o mapa e finca os dois pés no Complexo do Alemão para protagonizar um drama que não tem maquiagem emocional nem caminho fácil. É cinema feito no osso, no calor real da rua, onde a história não se esconde atrás da câmera.
A produção é da CPX Films, que escolhe o Alemão não como pano de fundo exótico, mas como personagem vivo da narrativa. Ali, onde a própria Globo já gravou Salve Jorge, o filme mergulha em relações atravessadas por amor, crime, escolha e consequência.

Janaína interpreta Bella, uma mulher de fibra, dessas que carregam o mundo nas costas sem fazer cena. Bella vive um conflito emocional profundo, dividida entre o sentimento que ainda existe e a recusa firme em aceitar uma vida ligada à criminalidade. Ela ama, mas não se curva. Sofre, mas não negocia seus princípios. É ali que a personagem cresce e a atriz brilha.
Em cena com ela está Marco Antônio Gimenez, conhecido do público desde os tempos de Malhação. Na trama, ele vive o ex-marido de Bella, um homem preso a um universo que ela decidiu deixar para trás. O embate entre os dois não é de grito, é de silêncio pesado, de decisões que doem mais do que qualquer briga explícita.

O elenco reúne ainda nomes como Dani Costa, Rodrigo Candelot, Renato de Souza, Maurício Pitanga, Edmilson Anastácio, Max Magalhães, Priscila Rangel, Bruno Monção, Jackson Candido e a atriz mirim Alicia Bernardo, que interpreta a filha do casal e funciona como ponto de tensão emocional constante da história.
A direção é assinada por Jackson e Jef Lessa, com assistência de Thiago Ribeiro e Peta. A produção leva a marca de Bruno Monção e a fotografia é de Julio Ricardo, que trata o Alemão com respeito, luz crua e enquadramentos que não romantizam nem demonizam. Mostram.

Um detalhe que faz diferença real. O filme conta com a participação de moradores e talentos da própria comunidade, reforçando o Alemão como polo cultural e audiovisual, não como cenário emprestado. A narrativa ganha corpo porque nasce de dentro, não porque observa de longe.
Janaína Gazoni sai desse projeto maior do que entrou. Não pelo tamanho do papel, mas pela densidade. Ela sustenta a trama com olhar firme, corpo presente e uma atuação que não pede aplauso, arranca. É daquelas interpretações que ficam, incomodam e fazem pensar depois que a tela escurece.