Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Djavan quase virou jogador de futebol. A história secreta que mudou a música brasileira para sempre

Antes de se tornar o poeta sofisticado da MPB, Djavan foi camisa 10 do CSA, operário, crooner de boate e Beatle de Maceió

Kátia Flávia

30/11/2025 13h00

Antes de se tornar o poeta sofisticado da MPB, Djavan foi camisa 10 do CSA, operário, crooner de boate e Beatle de Maceió

Minha gente…
SEGUREM ESSE VIOLÃO, ESSE LENÇO E ESSA TAÇA DE ESPUMANTE, porque o que eu vou te contar hoje é daquelas histórias que fazem a gente colocar Djavan pra tocar na mesma hora.

Sim, meu amor:
DJAVAN QUASE FOI JOGADOR PROFISSIONAL DE FUTEBOL.

Eu estou?
Passada. Travada.
A perna treme igual vibrato de “Oceano”.

Porque imagine um Brasil onde o nosso Djavan, esse homem que escreve como se desenhasse o vento , estaria correndo nos gramados do CSA em vez de compor “Flor-de-Lis”, “Samurai”, “Meu Bem Querer” e “Se”
Isso é tão sério que eu precisei retocar o batom antes de continuar.

Djavan era meia talentoso do CSA, destaque dos campos de Maceió, o menino que fazia a torcida suspirar.
Ao mesmo tempo, aprendia violão sozinho, com revista baratinha de banca.

Era uma bifurcação do destino:
Camisa 10? ou Compositor?

E o Brasil quase perdeu seu poeta da MPB para a lateral do campo.
Mas a música venceu.
E venceu bonito.

E não é por acaso: Djavan compõe como quem joga.
Ritmo de contra-ataque, melodia em tabela, frase que dribla e surpreende.
Ele treina canção como jogador treina finalização.

Antes da fama, Djavan viveu de tudo:Operário de fábrica, Integrante da banda LSD – Luz, Som e Dimensão, tocando Beatles em bailes de Maceió, Crooner de boates do Rio

Eu estou em choque, em êxtase e em transe:
como pode o “poeta hermético da MPB” ter começado como Beatle de Maceió em bailes da periferia?

Isso explica o híbrido encantado dele:
Harmonia pop + baião + jazz + samba + alma nordestina.

Uma alquimia que só ele tem.

Décadas antes do termo “world music” virar modinha:
Carmen McRae gravou “Flor-de-Lis” como “Upside Down” , O álbum “Luz” foi gravado em Los Angeles, Stevie Wonder aparece em “Samurai”, tocando como se dissesse:
“meu querido, seja bem-vindo ao clube dos gênios”

Djavan sempre foi global , antes mesmo da globalização chegar.

Djavan poderia ter sido jogador.
Mas escolheu ser DJAVAN.
E graças a esse pequeno “desvio” do destino, o Brasil ganhou, um poeta musical, um alquimista das harmonias, um visionário global,
um Beatle nordestino, e o maior camisa 10 que a música brasileira poderia ter.

Ainda bem que ele largou o campo e abraçou o violão.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado