Eu avisei. Enquanto muita gente da Faria Lima torcia o nariz para comida de shopping, o Divino Fogão estava ali, quietinho, enchendo o caixa e afiando o garfo. Em 2025, a rede fechou o ano com crescimento de 21% no faturamento e mostrou que arroz, feijão e disciplina operacional ainda rendem mais do que muito pitch cheio de inglês.
O número que realmente chama atenção não é só o faturamento. É a capilaridade. A marca cresceu 15% em pontos de venda, abriu 30 novas operações e consolidou lojas que já existiam com aumento médio de 10% nas vendas. É expansão com manutenção de base, coisa que fundo adora e concorrente teme.
Teve ousadia também. O Divino Fogão decidiu sair do shopping e testar a vida real, inaugurando a primeira unidade em rodovia, na Bandeirantes. Deu certo. O modelo passou no teste de estresse do consumidor com pressa e validou a aposta em estrada, aeroporto e tudo que tenha fluxo e fome.
Outro movimento que merece close é o das megalojas. Mais de mil metros quadrados, mesas, cadeiras e tempo de permanência maior. O self-service virou experiência estendida, quase um resort do estrogonofe. A unidade do Shopping Trimais, na zona norte de São Paulo, virou estudo de caso interno depois de performar acima das projeções.
Para 2026, o plano é direto, nada de firula conceitual. Crescer 20% no faturamento e sair de 246 para 286 unidades. A estratégia passa por diversificar formatos, fortalecer as megalojas e repetir o crescimento de dois dígitos nas operações maduras. Tudo isso com foco em franquia saudável, margem controlada e operação que não dá susto no DRE.
No fim das contas, o Divino Fogão está fazendo o que muita empresa de consumo sonha e poucas conseguem. Crescer sem perder identidade, escalar sem virar bagunça e transformar comida básica em tese de expansão nacional. Na novela do varejo alimentar, eles não são figurantes. Estão claramente no núcleo rico, com contrato renovado para várias temporadas.