Eu, Kátia Flávia, já vi muito galã de palco posar de certinho e depois cair em contradição. Dilsinho faz o caminho inverso. Ele sobe no palco todo romântico, mas fora dele entrega um personagem que parece ter sido escrito depois de duas cervejas e uma conversa longa de boteco.
Sim, o homem aboliu a cueca. Falou isso rindo, como quem comenta o clima, e deixou metade dos fãs em choque e a outra metade gargalhando. A revelação correu entrevistas, virou meme e consolidou o apelido que eu carimbo aqui com glitter, Dilsinho Raiz, o pagodeiro que vive no modo conforto máximo e zero cerimônia.

E a cueca é só a porta de entrada. O cantor adora contar perrengue de início de carreira, show vazio, situação constrangedora e história improvável com fã empolgado. Ele não foge do ridículo, ele abraça. Transformou essas situações em combustível criativo e construiu uma imagem de artista acessível, daquele que senta na mesa e puxa papo como se fosse amigo antigo.
Agora, segura essa. A obsessão por boteco saiu do papo e virou projeto. Dilsinho criou “Garrafas e Bocas”, um documentário musical que mergulha em bares, histórias de balcão e personagens da noite. Música, conversa, copo suado e gente real. Tudo junto, tudo misturado, do jeito que ele gosta e o público reconhece.

No meio dessa vida animada, tem o outro lado do diferentão. Dilsinho fala de família com frequência, do desafio de ser marido, pai da pequena Bella e artista com agenda lotada. A paternidade aparece como freio emocional e também como bússola, influenciando escolhas e até letras, sem apagar o humor e as manias que viraram marca registrada.
Eu observo e anoto. Enquanto muitos tentam parecer calculados, Dilsinho cresce sendo assumidamente esquisito, boteco lover e confortável demais para fingir normalidade. No pagode romântico, isso vira diferencial. No palco, vira carisma. Fora dele, rende história boa. E eu adoro uma história boa
