Marcos Mion levou Cauã Reymond às lágrimas no Caldeirão ao abrir o “Questionário Mionzera” e perguntar quem o ator escolheria para agradecer. Cauã citou o avô, Carlos Marques de Souza, e relembrou a ajuda que recebeu na infância, quando sua família atravessava dificuldades financeiras.
Com a sala já em ordem, levei o pano limpo para a área de serviço e comecei a separar as roupas que tinham secado. Foi nessa hora que vi o trecho. Mion avisou antes: “Eu abri uma gavetinha que vai ser difícil segurar a lágrima”. E não era frase de apresentador querendo efeito, não. Era uma história daquelas que pega a pessoa desprevenida.
Cauã contou que o avô, ao lado da avó, pagou seus estudos em colégio particular e comprava o material escolar que sua família materna não conseguia custear. “Meu avô foi a pessoa que pagou meus estudos, junto com minha avó, óbvio, e me deu a possibilidade de estudar em colégio particular”, afirmou.

O ator também falou sobre a realidade que viveu quando era menino. “Eu fui criado muito na área de serviço dos outros, comendo pedacinho de bolo que sobrou”, disse. “Eu passei muita dificuldade de abrir a geladeira e ela fazer: ‘bu’”. A frase veio acompanhada de uma explicação que não precisava de muita legenda: geladeira vazia é um barulho que a pessoa nunca esquece.
Eu parei de dobrar uma camiseta no meio. Porque Cauã Reymond, hoje dono de uma carreira enorme, falando de pão francês e manteiga como lembrança de uma visita do avô, faz a fama sair do retrato pronto e devolver a pessoa para a própria história.
Segundo ele, o avô aparecia na casa da família a cada 15 dias e fazia compras para que não faltasse o básico. “Fui muitas vezes para a escola com a roupa não lavada. E o meu avô deu dignidade. E eu sou muito grato. Descanse em paz”, declarou, já chorando.

Carlos Marques de Souza morreu em 2012, aos 89 anos, após enfrentar uma pneumonia. Antes de o Alzheimer avançar, deixou um recado que Cauã carrega até hoje: escreveu em um guardanapo que o neto tinha começado uma carreira que ninguém da família havia tentado e que queria vê-lo brilhar.
“Logo depois, começou a perder a memória”, lamentou o ator.
Aí não teve roupa dobrada, varal nem domingo ensolarado que segurasse a emoção. Mion abriu a tal gavetinha, Cauã entrou nela de corpo inteiro e o público assistiu a um agradecimento que não tinha nada de ensaiado.
Cauã ainda falou da relação com a filha, Sofia, de 14 anos, e contou que aprendeu, em conversas com a psicóloga dela e com Grazi Massafera, a encontrar uma maneira mais próxima de estar presente na adolescência. Mas naquele momento no Caldeirão, foi o menino que recebeu a ajuda do avô quem apareceu primeiro.