Estava aqui em Milão finalizando um café que esfriou duas vezes porque meu telefone não parou de vibrar com atualização do caso Pedro BBB. A virada de versão da equipe dele aconteceu em velocidade de stories: ontem negavam que era ele no vídeo, hoje confirmam, explicam com “surto” e “medicamentos” e já acenam para uma nova internação. A pergunta que fica é quantas versões oficiais cabem em 72 horas.
Nas redes, o movimento foi de curiosidade para comoção com uma velocidade que a própria internet não processa direito. Os perfis que publicavam o vídeo em looping com áudio de funk começaram a ser substituídos por posts sobre saúde mental de ex-BBBs, sem que ninguém pausasse para pensar no intervalo entre os dois comportamentos. A defesa postou nota, deletou, repostou com texto diferente, e o dono da barbearia deu mais três entrevistas mantendo a queixa.
O que a reviravolta da equipe deixa exposto vai além do episódio em si. Pedro saiu do BBB 26 carregando acusação de importunação sexual, traição à esposa grávida e o estigma do botão de desistência, entrou em clínica psiquiátrica e deixou o tratamento antes de estar estabilizado, segundo as próprias pessoas ao redor dele. A lógica de quem gerencia uma crise de imagem costuma funcionar no ritmo do clique, e esse ritmo raramente coincide com o que um quadro psiquiátrico em desenvolvimento precisa.
A equipe que demorou horas para confirmar que era ele no vídeo é a mesma que está decidindo se ele volta ou não para internação. Torcer para que a decisão seja médica e não de assessoria de imprensa parece pouco, mas é o que tem.