Amores , o mundo da televisão é pequeno, todo mundo se conhece, todo mundo se observa. E foi por isso que ninguém ficou indiferente ao que Renata Fan fez. No sábado, ela se despediu do pai, seu Paulo Antônio Ribeiro Fã, aos 76 anos, em Santo Ângelo, no interior do Rio Grande do Sul. Dor rápida, dura, daquelas que desmontam qualquer pessoa.
No dia seguinte, ela voltou. Voltou porque tinha um compromisso com o público, com a equipe, com o time. Voltou porque foi assim que aprendeu em casa. No estúdio do Jogo Aberto, ao vivo, na Band, Renata apresentou o programa com a serenidade de quem está em pedaços por dentro, mas inteira por fora.
Não houve cena. Não houve vitimização. Houve silêncio, postura, respeito. Houve a força de uma mulher que carrega o luto sem transformar dor em espetáculo. E quando falou, falou como filha. Com emoção contida, voz firme e palavras que atravessaram a tela.
Ela explicou que já estava programada para trabalhar até o fim da temporada, desde que o calendário foi divulgado em setembro. Queria fechar o ano cobrindo a Copa do Brasil, celebrando o futebol como sempre fez. Porque, para ela, os títulos também são nossos. A gente sofre junto, brinca junto, comemora junto.
Renata dividiu com o Brasil os valores que herdou do pai. O trabalho levado até o fim, sem abandonar o time no meio do caminho. E a família unida, como lei maior, inegociável. Dedicou o programa ao pai, à mãe dona Ana, companheira de 55 anos, ao irmão, à cunhada, aos sobrinhos. Falou de amor, de gratidão e de saudade. Daquela que não grita, mas aperta.
Teve também agradecimento. Porque é na hora ruim que a vida mostra quem fica. O companheiro Atila Abreu esteve ali, firme, inteiro, presente. Como deve ser.
Euzinha observo e registro. Porque isso não é só televisão. Isso é caráter. Renata Fan não apresentou apenas um programa depois de perder o pai. Ela honrou uma história, uma família e uma herança de valores. E fez isso do jeito mais difícil, com dignidade, silêncio e uma força que emocionou o Brasil inteiro.