Meninas ,estava lá com a taça na mão, e confesso que poucas coisas me divertem mais do que ver o sambódromo virar consultório estético a céu aberto. Pois bem. A noite teve nome, sobrenome e quadril matematicamente calculado. Raíssa Souza, musa da Barroca Zona Sul, surgiu no Anhembi como quem diz “anotem meus números e depois me aplaudam”.

A história é digna de roteiro exagerado, do jeito que eu gosto. Raíssa já pesou 106 quilos, perdeu mais de 40 no caminho e hoje desfila com 66 quilos, 1,70 de altura e declarados 9 por cento de gordura corporal. Cintura afinada de 76 para 64 centímetros, quadril turbinado de 96 para 112, tudo apresentado com a naturalidade de quem comenta o clima.

O figurino foi tapa-sexo cravejado de cristais, nada tímido, nada recatado, tudo muito Avenida mesmo. Ela representou Oxum, orixá das águas doces, dos rios e das cachoeiras, e falou do desfile como um divisor emocional na própria carreira. Disse estar na melhor fase da vida, cabeça no lugar, corpo alinhado, coração confiante, aquele discurso que mistura fé, espelho e flash.

No bastidor, a conversa ficou ainda mais saborosa. Raíssa contou que fraturou seis costelas em procedimento estético para reduzir a cintura e ganhou 16 centímetros de bumbum com remodelação corporal. Para chegar “seca” no dia do desfile, adotou a cartilha clássica do fisiculturismo competitivo. Começou bebendo seis litros de água por dia e comendo apenas 50 gramas de arroz. Depois, a água diminui, o arroz aumenta e o corpo responde rápido, segundo ela, com músculos mais aparentes e zero retenção.

Eu adoro quando o Carnaval vira esse grande reality show anatômico, onde tudo é contado sem pudor, com número, método e close. Raíssa desfilou apenas de tapa-sexo e saiu se sentindo linda, segura e dona da própria narrativa. Quem olha hoje, segundo ela mesma, não imagina o passado de obesidade nem que ali também existe uma mãe.

No fim da madrugada, ficou claro que o enredo não era só samba. Era transformação, fé, bisturi, disciplina e uma boa dose de espetáculo. Do jeito que a Avenida gosta. E do jeito que eu adoro comentar depois, com um sorriso venenoso e aplauso sincero.
