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Kátia Flávia
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Depois de perder 130 kg, Gordão da XJ enfrenta cirurgia na vesícula e expõe o lado oculto do emagrecimento extremo

Influenciador de 20 anos, que já chegou a 345 kg, precisou retirar a vesícula após rápida perda de peso e acende alerta para riscos pouco comentados de dietas radicais, remédios e preparativos para bariátrica.

Kátia Flávia

08/02/2026 9h00

Influenciador de 20 anos, que já chegou a 345 kg, precisou retirar a vesícula após rápida perda de peso e acende alerta para riscos pouco comentados de dietas radicais, remédios e preparativos para bariátrica.

Amores, deixa eu puxar essa cadeira e falar olhando no olho. Porque essa história do Gordão da XJ não é só mais um capítulo de superação para render aplauso fácil. Ela é daquelas que começam com vitória pública e seguem para um bastidor que pouca gente quer enxergar.

Eu acompanhei essa trajetória como quem acompanha novela longa. Gordão saiu de 345 quilos, perdeu 130 em menos de dois anos, virou símbolo de coragem, disciplina e força de vontade. Reality, desafio físico, rotina rígida, balança descendo rápido. O público vibrou, seguiu, compartilhou. Eu vibrei junto. Só que, enquanto a internet comemorava o número, o corpo dele estava pagando a conta em outra parte.

A cirurgia para retirada da vesícula não caiu do céu. Emagrecer rápido muda o funcionamento interno de forma profunda. A vesícula biliar armazena a bile, que ajuda a digerir gordura. Com a perda acelerada de peso, essa bile se altera, engrossa, forma cristais. Esses cristais viram pedras. Pedra dói, inflama, trava a vida. E sim, quem já viveu obesidade carrega risco maior desde o começo.

Foto: Reprodução/ Portal Leo Dias

Aqui entra o ponto que quase nunca aparece no vídeo motivacional. Dietas extremas, medicamentos para emagrecer e preparação acelerada para bariátrica aumentam esse risco. A perda de dezenas de quilos em pouco tempo sobrecarrega órgãos que não aparecem na selfie. A balança vira protagonista. O resto do corpo fica nos bastidores, até reclamar.

No caso do Gordão da XJ, a cirurgia veio acompanhada de medo real. Ele mesmo já falou sobre receio de não sair vivo de um centro cirúrgico. Isso não é drama. Isso é consciência de quem entende que está colocando o corpo em provas sucessivas, sob pressão física e emocional. E tudo isso aos 20 anos, com milhões observando cada passo.

Porque perder 130 quilos muda tudo. Muda a relação com a comida, com o espelho, com a família, com o público. A identidade antiga se desfaz rápido. A nova ainda está em construção. No meio desse processo, existe cobrança. Cobrança por resultado, por continuidade, por evolução constante. A internet gosta de final feliz rápido. O corpo não funciona assim.

A retirada da vesícula escancara um alerta importante. Emagrecimento acelerado tem efeitos colaterais. Dor forte do lado direito do abdômen, enjoo persistente, vômitos, inchaço após refeições gordurosas, febre e coloração amarelada da pele ou dos olhos exigem avaliação médica imediata. Ignorar sinais para manter ritmo de transformação costuma sair caro.

E essa cirurgia não encerra o caminho. Ela abre outra etapa. Pode vir bariátrica. Podem vir cirurgias reparadoras para retirada de excesso de pele. Cada procedimento tem risco, recuperação, impacto emocional. É um cronograma pesado para qualquer adulto. Para alguém tão jovem, acompanhado em tempo real por seguidores, o peso dobra.

Eu continuo torcendo pelo Gordão da XJ. Torço pela saúde, pela estabilidade emocional, pela travessia segura desse processo inteiro. Mas faço questão de contar a história sem filtro cor-de-rosa. A transformação é real. A dor também. E romantizar emagrecimento extremo ajuda pouco, informa menos ainda.

A balança baixa. O corpo responde. E quem olha de fora precisa entender que nem toda vitória aparece na foto do depois.

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