Eu estava aqui em Bari, no mercado da Piazza del Ferrarese escolhendo burrata com a concentração de quem faz uma cirurgia de alta precisão, quando minha amiga Cláudia me ligou ofegante: “Kátia, a Deolane abriu o verbo.” Larguei o queijo, abri os Stories e fiquei parada uns quatro minutos olhando pra tela.
A Operação Narco Fluxo prendeu MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e o Choquei, investigando um esquema de R$ 1,6 bilhão. A PF citou Deolane num relatório apontando que sua conta funcionou como “conta de passagem”, com R$ 5,3 milhões entrando e saindo em 47 dias, sem justificativa comercial clara. Ela não foi presa, mas o nome foi jogado no meio do escândalo.



O que ela foi explicar nos vídeos tem mais detalhe do que a maioria das matérias publicou. A movimentação com Ryan era uma troca de carros: ele ficou com o veículo mais caro, devolveu um mais barato e completou a diferença com depósito bancário direto na conta dela, tudo com contrato assinado em cartório e comprovantes de transferência de propriedade. Sobre a doação de R$ 1,16 milhão ao Instituto Neymar, ela foi categórica: o valor saiu da sua conta de pessoa física, está declarado no Imposto de Renda e foi três vezes maior do que o que ela recebeu de Ryan, o que, na prática, desmonta a tese de repasse sequencial de recursos.
O ponto que ela levantou e que ninguém está discutindo com a devida atenção é o dos bancos. Segundo Deolane, diversas instituições já encerraram suas contas por conta das investigações, o que significa que ela está sofrendo uma punição civil paralela, sem condenação, sem processo encerrado, só pelo nome ter aparecido num relatório. Ela já passou por isso antes: ficou 20 dias presa em 2024, provou que a compra do veículo daquela época estava registrada no IR e que o pagamento tinha sido feito por banco, sem espécie. Saiu. E agora o ciclo recomeça, com o mesmo tipo de acusação e a mesma resposta documentada.
Ela encerrou dizendo que, sem fé inabalável, estaria de cama. Aqui de Bari, onde aprendi que em Puglia a burocracia é levada tão a sério quanto a receita do orecchiette, eu digo: essa mulher tem mais papel passado organizado do que muita empresa com departamento jurídico. Se o cartório absolver, a imprensa vai ter que engolir seco. Se não absolver, pelo menos ela vai à falência com a documentação toda em dia.
Confira o vídeo: