Eu estava lá, ou pelo menos minha alma perua estava, de salto imaginário e coração descompensado, quando Dennis DJ resolveu aparecer nos Ensaios da Anitta como quem chega num jantar chique sem avisar e rouba a sobremesa. O moço subiu no palco em São Paulo e apertou, sem piedade, o botão da nostalgia.
Dennis sacou um medley do primeiro álbum da patroa e pronto. O público entrou em modo coral de igreja pop. “Tá na Mira”, “Proposta” e “Não Para” vieram uma atrás da outra, com gente cantando de olho fechado, celular tremendo e memória afetiva escorrendo pelo canto da boca. Era Anitta raiz, daquela fase em que tudo parecia improviso com ambição de império.

Eu observei a cena como quem assiste a um casal icônico revendo fotos antigas. Anitta abraçou, sorriu, se jogou na batida e deixou claro que aquela parceria ainda mora no coração dela, mesmo com agenda lotada, carreira internacional e coleção de capas pelo mundo. Dennis, que eu apelidei carinhosamente de DJ Flashback Emocional, conduziu a massa com cara de quem sabia exatamente o estrago que estava causando.
O ensaio virou presente. Daqueles que você não embrulha porque já chega fazendo barulho. O público cantou tudo, respondeu tudo e provou que essas músicas seguem firmes no imaginário popular, pedidas eternas, figurinha repetida que ninguém quer deletar.

E não foi aparição única, meus amores. Dennis já tinha dado as caras nos Ensaios de 2024 e 2025, mostrando que essa amizade musical gosta mesmo é de palco grande e plateia suada. Fora dali, a dupla também mantém o flerte criativo no estúdio, com faixas como “Monstrão”, parceria com Pedro Sampaio, e “Joga Pra Lua”, porque ninguém vive só de passado, embora o passado deles renda bons surtos coletivos.
Resumo da ópera, com direito a glitter imaginário. Dennis chegou, puxou Anitta pela mão para dentro da máquina do tempo e São Paulo agradeceu cantando tudo em coro, como se fosse final de novela das nove com trilha sonora própria. Eu amo quando a nostalgia resolve trabalhar.