Eu amo uma nota de esclarecimento porque ela sempre chega com aquele perfume de “vamos encerrar o assunto”, justamente no momento em que o assunto acabou de colocar salto, gloss e sentar no centro da sala. Dennis se manifestou depois da treta puxada por Tati Quebra Barraco e resolveu botar no papel a versão dele sobre a autoria de Barraco II. E aí o barraco saiu do palco e foi direto para o cartório moral do funk.
Segundo o texto, a música teria sido atribuída a Dennis pela Furacão 2000 lá no início dos anos 2000. Ele diz que, assim que soube do erro, enviou um documento formal para a Link Records, ligada ao catálogo administrado pela NOWA, informando que a autoria da obra não era dele. O comunicado ainda crava a data que interessa, a faixa estaria oficialmente registrada em nome de Tati Quebra Barraco desde 19 de agosto de 2020.

A parte mais saborosamente objetiva da nota vem depois, e eu gosto de número porque número não rebola. Dennis afirma que voltou a checar o caso com a NOWA e também procurou a UBC para levantar os valores eventualmente recebidos ao longo dos anos. De acordo com o texto, o ECAD apontou que 75% do valor gerado pela obra antes da regularização foi repassado a ele, totalizando R$ 1.203,75, e que esse montante já teve devolução formalmente solicitada para a conta da artista, com a devida correção.
No meu ouvido de colunista formada em psicanálise de boteco e leitura de climão, essa nota tenta fazer duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, esfriar a fervura pública, porque ninguém solta comunicado cheio de sigla, data e cifra por esporte. Segundo, blindar a narrativa de má-fé, trocando o tom da treta por uma versão de erro antigo, regularização posterior e acerto financeiro em andamento.
No fim, Dennis fecha o texto reafirmando respeito por Tati Quebra Barraco e dizendo considerar o assunto esclarecido. Claro que comunicado adora dar ponto-final onde a internet ainda quer vírgula, ponto de interrogação e replay em câmera lenta. Mas uma coisa é certa, o caso saiu da fofoca pura e entrou naquele território deliciosamente brasileiro em que funk, crédito autoral e prestação de contas viram enredo com cara de bastidor pesado.