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Kátia Flávia
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De vídeos de Sandy & Junior ao Júri: a história de Aline Borel, executada aos 28 anos após fazer faxina

Cantora e influenciadora de Araruama foi morta a tiros em 2022 após ser confundida por traficantes com uma possível olheira da milícia, segundo a denúncia do Ministério Público. Dois acusados serão julgados nesta quinta-feira (23).

Kátia Flávia

23/07/2026 9h15

Aline Borel ganhou visibilidade nas redes sociais com vídeos cantando músicas de Sandy & Junior

Aline Borel ganhou visibilidade nas redes sociais com vídeos cantando músicas de Sandy & Junior

Aline Borel dos Santos tinha 28 anos, era cantora, influenciadora e fazia vídeos que circulavam nas redes sociais, inclusive cantando sucessos de Sandy & Junior. Nesta quinta-feira (23), quatro anos depois de sua morte, Natanael dos Santos Nunes e Luiz Henrique Mora Fersura enfrentam júri popular em Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, acusados de participação no assassinato.

Eu já tinha subido na bike, escolhido uma velocidade muito otimista para quem acordou atrasada e estava tentando não olhar o telefone entre uma passada e outra. Aí o nome da Aline começou a aparecer sem parar. Desliguei a tela por um segundo, porque não era uma lembrança leve de internet. Era uma história brutal de uma mulher que saiu para trabalhar e acabou engolida pela paranoia do crime.

A influenciadora e cantora tinha 28 anos quando foi assassinada em Araruama, em 2022
A influenciadora e cantora tinha 28 anos quando foi assassinada em Araruama, em 2022

Na manhã de 21 de abril de 2022, Aline fazia faxina em um imóvel conhecido como Casa Amarela, em Praia Seca. Segundo a investigação, a casa havia sido usada por integrantes de uma milícia local e a simples presença dela ali despertou a suspeita de traficantes ligados ao Comando Vermelho de que ela pudesse agir como olheira do grupo rival.

A denúncia aponta que Aline foi convencida a acompanhar os acusados até a Praia do Dentinho, também em Praia Seca. Lá, ela foi morta a tiros. O corpo da cantora foi encontrado no mesmo dia, e o caso ganhou repercussão pela brutalidade e pela ausência de qualquer indício de que ela tivesse, de fato, envolvimento com milícia ou tráfico.

Baixei a velocidade da bike porque tem notícia que não combina com corrida. Uma mulher fazendo faxina virou alvo de uma acusação que ninguém precisou provar para que tivesse consequências irreversíveis. Não é enredo de série criminal, nem personagem feita para gerar suspense. Era a vida de Aline.

A polícia identificou quatro homens como envolvidos no crime. Além dos dois que vão a júri agora, a investigação citou João Vitor Fernandes dos Santos e Ricardo Santos Oliveira, apontado como chefe local do tráfico. A acusação sustenta que o grupo agiu por acreditar, sem confirmação, que Aline estivesse ligada à milícia.

O caso será julgado pelo Tribunal do Júri de Araruama nesta quinta-feira (23)
O caso será julgado pelo Tribunal do Júri de Araruama nesta quinta-feira (23)

Antes de se tornar assunto policial, Aline era reconhecida pela vontade de cantar e pela presença nas redes. Há registros de uma participação dela no Programa da Maisa, onde apareceu ao lado de Karol Conká e Marlei Cevada. Essa é a parte que o tempo quase esconde quando um caso demora anos para chegar ao Tribunal do Júri: a pessoa vira manchete, mas tinha voz, planos, rotina e gente esperando por ela em casa.

Segui olhando para a janela da academia, com o Rio de Janeiro lá fora seguindo como se nada tivesse acontecido. O julgamento de hoje não devolve Aline à família nem apaga o que ocorreu em 2022, mas coloca sua história diante de um júri. E é por isso que o nome dela voltou a circular: para lembrar que Aline Borel não foi apenas mais um caso em Araruama. Ela era a menina dos vídeos, das músicas, da faxina, e deveria ter voltado para casa.

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