Eu, confesso que arregalei o olho quando soube. A voz que um dia colocou casal em DR ao vivo no rádio agora senta na cadeira mais quente da televisão noturna. Simone Garuti, aos 48 anos, sai do bastidor direto para o centro do palco e assume provisoriamente o comando do Superpop. Provisoriamente, dizem. Eu adoro essa palavra, ela sempre esconde teste, termômetro e torcida organizada.
Para quem não lembra ou finge costume, Simone foi a temida Dona Encrenca da Transamérica. Aquela que atendia telefone, cutucava ferida e deixava relacionamento em frangalhos com perguntas que ninguém tinha coragem de fazer. Confissão amorosa, trote bem ensaiado, teste de resistência emocional. Era rádio, mas parecia terapia de casal em praça pública. E funcionava.
Antes de virar rosto conhecido na TV, Simone era só voz. Estagiou na Jovem Pan 2, ganhou cancha na Transamérica no fim dos anos 90 e entrou na RedeTV! em 2001. Desde então, ficou mais de duas décadas circulando pelos bastidores do Superpop, entrevistando subcelebridade, celebridade, quase celebridade e aquele povo que só aparece quando a pauta pede barraco. Ela conheceu o programa por dentro, do camarim ao palco, do improviso ao controle de danos.
A saída de Luciana Gimenez abriu um buraco que não se tapa com qualquer nome. Foram 25 anos de rosto fixo, estilo próprio e um público que confunde apresentadora com o próprio formato. A emissora resolveu apostar na prata da casa, aquela escolha que parece segura, mas vem carregada de expectativa. Simone entra como interina, mas ninguém ali é ingênuo. Isso é teste de aceitação em tempo real.
Eu gosto da ironia do roteiro. A mulher que mediava testes de resistência de casais agora vive o próprio teste em horário nobre. Comparação vai rolar, comentário vai pipocar e a internet não perdoa. O Superpop sempre foi vitrine de exposição, de vida pessoal virando pauta, de opinião atravessada. Agora vira também vitrine da própria apresentadora.

Se vai virar titular, ninguém crava. O que dá para dizer é que a RedeTV! mandou um recado claro ao escolher alguém que conhece o DNA do programa. Simone sentou na cadeira com a naturalidade de quem já estava ali fazia tempo, só faltava o crachá certo.
Eu observo, com meu copo na mão e a língua afiada. Porque quando Dona Encrenca vira dona do palco, alguma coisa boa ou muito comentada sempre acontece.