Após mais de uma década atuando diretamente no mercado financeiro, o economista, educador financeiro e planejador CFP®️ Fábio Andrades Louzada decidiu mudar de lado do balcão. A experiência na área de investimentos, atendendo clientes de alta renda e Private, revelou, segundo ele, uma lacuna recorrente na preparação dos profissionais do setor.
Com início de carreira no sistema financeiro em 2007, Louzada soma quase duas décadas dedicadas integralmente ao mercado, sendo 11 anos e meio em instituições financeiras e, nos últimos sete anos e meio, focado na formação de profissionais para o setor.
“Percebi que muitos profissionais eram tecnicamente certificados, mas não estavam preparados para lidar com a complexidade real do cliente de alto patrimônio”, afirma.
Natural de Umuarama (PR) e formado em Gestão Financeira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Louzada construiu sua trajetória na área de investimentos de grandes bancos. Foi Gerente de Investimentos do Bradesco no interior de São Paulo, responsável por clientes de alta renda e Private, atuou como Gerente de Investimentos do Santander em Campinas, Advisor do Citibank em São Paulo e, posteriormente, Especialista em Investimentos do Itaú.
A vivência prática levou o executivo a uma conclusão direta: o modelo tradicional de formação do mercado financeiro não evoluiu na mesma velocidade que o perfil do cliente.
“O mercado ainda forma vendedores de produtos. Mas o cliente sofisticou e precisa de profissionais que realmente gerem valor”, diz.
Em 2019, Louzada cofundou a Eu Me Banco Educação (EMB), inicialmente voltada à preparação para certificações financeiras. Em 2025, ampliou a aposta ao adquirir uma instituição de ensino superior credenciada pelo MEC, rebatizada como Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças (FBNF).
A tese que orienta o projeto é clara: o ensino financeiro brasileiro permanece excessivamente concentrado em teoria e certificações, enquanto o mercado exige visão estrutural do patrimônio, leitura estratégica do cliente e domínio técnico aplicado.
Na FBNF, o modelo prioriza aulas ao vivo, mentorias individuais, simulações práticas e contato direto com profissionais em atividade no mercado.
Para Louzada, a mudança no comportamento do empresário brasileiro acelerou a necessidade de revisão do modelo de formação.
“Hoje, atender cliente de alta renda exige entender sucessão, estrutura societária, offshore, tributação e comportamento. Não é mais uma conversa apenas sobre produto financeiro”, afirma.
Mais do que capacitação técnica, o executivo defende que o setor precisa reconstruir a confiança entre cliente e profissional financeiro, um dos pontos que, segundo ele, ainda fragilizam a relação no mercado.
“O cliente precisa confiar no banker como confia no seu médico. E isso só acontece quando existe profundidade técnica e geração real de valor”, diz.
Nos próximos anos, Louzada afirma que pretende consolidar a FBNF como uma das principais referências nacionais na formação de profissionais voltados ao atendimento de clientes de elevado patrimônio.
“Autoridade no Private Banking não vem do certificado isolado. Vem da capacidade técnica percebida na mesa”, conclui.