Eu estava em Milão, saindo da massagista , unha fresca, mega hair alinhado e aquele gole absolutamente irresponsável de uísque energético que a imprensa séria finge condenar, quando o circo me chamou pelo nome. Davi Brito apareceu em coletiva carregando um caixão com “Descanse em paz” e “Último suspiro”, numa entrada que misturou boxe, auditório de domingo e escola de samba do deboche. Do outro lado, Bambam resolveu responder no volume máximo e entregou uma performance de ameaça com mamadeira cenográfica e promessa de apagar o adversário. Foi coletiva, mas com alma de recreio premium. 
O fato principal é este, minhas joias. Bambam e Davi se enfrentam no Fight Music Show 8 no dia 30 de maio. O duelo foi anunciado como combate entre dois campeões do Big Brother Brasil. O evento principal traz Popó contra Whindersson, e o encontro entre os ex-BBBs entrou no card depois de uma temporada de provocações públicas. No meio da coletiva desta semana, o clima azedou de vez, os dois se levantaram, partiram para a confusão e a segurança precisou separar. A bilheteria já aponta São Paulo, Mercado Livre Arena Pacaembu, embora reportagens do mesmo dia ainda tenham tratado o local como não oficializado. Traduzindo do português do caos, o povo já sabe para onde ir, só a papelada da narrativa é que ainda estava correndo atrás do salto. 
No bastidor digital, a treta veio bem embalada para render corte, repost e torcida organizada de algoritmo. Eu não achei evidência confiável, até aqui, de unfollow estratégico ou like torto que mude o rumo da República, então não vou te vender fumaça com glitter. O que há de concreto é que a rivalidade já vinha sendo alimentada nas redes desde antes do anúncio formal da luta, com Bambam provocando Davi, inclusive em vídeos e stories, e a coletiva serviu como gasolina premium para esse enredo. O caixão do Davi e a mamadeira do Bambam são dois objetos que nasceram para viver eternamente em compilado de internet, desses que metade compartilha por indignação e a outra metade por diversão, que no Brasil costumam dar as mãos rapidinho. 
A minha leitura maldosa, chique e absolutamente hidratada é a seguinte. O Fight Music Show não vende só luta, vende personagem, memória de TV e humilhação com iluminação boa. Bambam entra com a fantasia do bruto que promete destruição para apagar o trauma do nocaute relâmpago contra Popó. Davi entra com a energia do provocador performático, o rapaz que entendeu que, nesse tipo de evento, entrar só com luva é pouco, tem que entrar com símbolo, com cena, com imagem que corra sozinha. Como os dois já perderam no ringue do FMS, o combate também virou uma disputa por reposicionamento público. Um quer recuperar pose, o outro quer provar que continua sendo assunto. Resultado, a nobre arte apanha um pouco, o entretenimento sorri inteiro e eu fico aqui pensando que esse caixão chegou cedo demais, porque quem morreu primeiro foi a compostura.