Cheguei em Nápoles e a primeira coisa que o Brasil me manda é a saga financeira do Davi Brito, que ganhou dois milhões de reais há menos de dois anos e está aqui revelando numa caixinha do Instagram que mora na casa da mãe. Parei tudo. Larguei a sfogliatella na mão e li três vezes para ter certeza.
O que aconteceu: na tarde de quarta (1º), Davi abriu perguntas no Instagram e alguém, corajosamente, perguntou onde foi parar o prêmio do BBB 24. Ele respondeu que comprou casas para o pai e para a mãe, mudou a realidade da família, e que hoje ainda mora com a mãe enquanto trabalha para comprar o próprio apartamento. Os vídeos foram apagados logo depois. Claro.
O detalhe que o feed não está conseguindo processar é que os stories sumiram tão rápido que a internet teve de trabalhar dobrado para salvar os prints. Nenhum unfollow registrado, nenhuma nota da assessoria, só o silêncio elegante de quem apagou a confissão e foi torcer para o Brasil ter memória curta. Spoiler: não tem.
Minha leitura pirua é a seguinte: Davi fez exatamente o que qualquer pessoa de família humilde faria com dois milhões, que é garantir a casa dos pais antes de pensar em si mesmo, e isso é bonito e humano. O problema é a gestão da narrativa, porque abrir caixinha, contar tudo, e depois apagar é o roteiro completo de como virar meme involuntário numa quinta de manhã.
Dois milhões, zero imóvel próprio, stories deletados e o Brasil inteiro fazendo conta. Davi, meu bem, assessoria de imagem não é luxo, é infraestrutura básica.