Estou no Beloura Shopping, em Sintra, fazendo umas comprinhas antes de ir para casa, com um sol delicioso lá fora e uma lista de derrotados eleitorais aberta no celular. Porque ontem eu fiquei por conta disso. Fui olhar nome por nome dos famosos que trocaram televisão, música, reality e futebol pela urna em 2026. E teve celebridade descobrindo que fama ajuda a aparecer na cédula, mas não entrega cadeira no Congresso.

Começo por José Luiz Datena porque o número chama atenção. Candidato a deputado federal pelo PSB em São Paulo, ele recebeu 51.071 votos e, ainda assim, não se elegeu. Entre os apresentadores citados nessa disputa, foi o mais votado. Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos, concorreu pelo PSD e terminou com 22.464 votos. Rachel Sheherazade, também pelo PSD, ficou praticamente colada nela: 22.451. Geraldo Luís, candidato pelo Avante, recebeu 10.176.

E olha essa diferença: Silvia terminou apenas 13 votos à frente de Rachel. Treze. Eu gasto mais passos procurando uma loja aqui no Beloura Shopping. Política tem dessas crueldades matemáticas: duas figuras conhecidíssimas da televisão, votação quase idêntica e nenhuma das duas conseguiu a vaga.
Na música e na televisão popular, a urna também não se impressionou com currículo de celebridade. Manoel Gomes, o homem de Caneta Azul, teve 7.239 votos pelo Avante. MC Gui recebeu 7.378 pelo PSD. Marquito, conhecido do Programa do Ratinho, terminou com 1.595 votos, enquanto Eduardo Xaropinho chegou a 15.382.
A lista paulista ainda teve outros nomes bastante conhecidos. Adrilles Jorge recebeu 26.694 votos; Netinho de Paula, 19.336; Jean Wyllys, 18.073; o ex-jogador Luis Fabiano, 9.613; e o goleiro Sérgio, 9.565. Nenhum deles conquistou a vaga disputada.
No Rio de Janeiro, Humberto Martins tentou chegar à Câmara dos Deputados pela Democracia Cristã e recebeu 1.124 votos. Andréa Sorvetão, candidata pelo mesmo partido, teve 2.529. Inês Brasil estreou nas urnas disputando uma cadeira de deputada estadual pelo PSB, recebeu 3.145 votos e ficou como suplente. Sarah Poncio também não foi eleita deputada estadual e terminou como suplente após receber 20.474 votos.
Os realities também mandaram representantes para a política. Lucas Penteado disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo. No Rio Grande do Sul, Matteus Amaral, ex-BBB, concorreu pelo PP, passou dos 51 mil votos e não conseguiu uma cadeira na Câmara. No Amazonas, Vivian Amorim tentou uma vaga de deputada estadual e terminou com 10.807 votos.

E ainda teve Tiririca. Depois de quatro mandatos como deputado federal por São Paulo, ele tentou voltar à Câmara concorrendo pelo Ceará, mas não conseguiu votos suficientes para assegurar um novo mandato.
Agora vou guardar o celular e terminar minhas compras em Sintra. Mas saio dessa apuração com uma certeza matemática, não política: televisão dá reconhecimento, reality dá milhões de seguidores e meme atravessa o Brasil inteiro. Urna não dá voto por fama.