Eu estava aqui em Milão, terminando um espresso que custou o equivalente moral de uma assinatura anual de streaming, quando o telefone tocou com um número do Rio que eu respeito demais para não atender. Era a cúpula. A família Marinho me ligou pessoalmente para contar a novidade antes de qualquer press release circular: Daniela Okuma, executiva com passagem pelo TikTok, Meta, X e Microsoft, é a nova diretora Comercial da Globo.
O fato é este: Okuma assume a posição em 6 de abril, reportando-se a Manzar Feres, diretora de Negócios da emissora. A missão dela é fortalecer o ecossistema de publicidade multiplataforma da Globo, orientado por dados, performance e integração entre conteúdo e tecnologia. Com mais de 25 anos de mercado liderando estratégias de crescimento de receita em empresas que moldaram o comportamento digital de meio mundo, ela não chega para aprender o negócio.
Nos bastidores do mercado publicitário, o movimento já movimentou as caixas de entrada das agências. Gente de mídia que eu conheço bem começou a se reposicionar no LinkedIn com uma velocidade que só se vê em ano de Copa. Quando uma executiva com esse currículo de big tech aterra na Globo, o pitch de mídia do próximo trimestre vai precisar ser reescrito do zero.
A leitura que faço, ainda com o telefone quente da ligação, é que a Globo está importando linguagem de plataforma sem abrir mão do volume e da capilaridade que nenhuma big tech ainda conseguiu replicar no Brasil. Okuma conhece o algoritmo por dentro e o anunciante por fora. Isso é uma combinação que o mercado publicitário brasileiro não via há muito tempo numa só cadeira.
O mercado que se prepare porque a reunião de planejamento de 2027 vai ser outra conversa.