Gente, juro que não estava nem com o olho aberto direito ainda. Cabelo em pé, aqui de Cosme Velho, o Rio ainda na neblina da manhã, e o celular já explodindo com minhas amigas da Bahia me ligando em cima da outra. “Katinha, você viu o que aconteceu?” Não vi nada, minha filha, eu estava dormindo como gente de bem. Mas aí eu abri o olho, sentei na cama e fui entender o barraco, porque quando baiana liga antes das nove da manhã é porque a noite anterior foi épica.
Na terça (28), no Teatro Casa do Comércio em Salvador, rolou o Troféu Armandinho e Irmãos Macêdo, uma das premiações mais importantes da música baiana. Daniela Mercury ganhou o prêmio de Música do Carnaval 2026 com “É Terreiro”, parceria com Alcione. Era para ser noite de festa. Virou tribunal.


No discurso de agradecimento, Daniela foi ao microfone e pediu publicamente que Edson Gomes tivesse mais “carinho” com a esposa, declarando que não aceita “nenhuma violência contra nenhuma mulher”. Palavras escolhidas, num microfone aberto, numa plateia lotada. Ela foi além e convocou todos os artistas brasileiros à luta contra a violência, com ênfase especial na proteção das mulheres negras. Não foi insinuação. Foi dito com nome e sobrenome, no palco, na cara dura.
Edson Gomes não esperou o dia seguinte. Subiu ao mesmo palco, na mesma noite, e foi frontal: “Eu quero perguntar a Daniela de onde ela tirou isso e tentou me envergonhar na frente de todo mundo. Eu quero que ela prove quem eu espanco. Você não tem como provar isso.” A plateia travou.
Daniela recuou parcialmente e disse “me desculpe, preocupada com as mulheres”. Ele não aceitou: “Não importa se eu sou carinhoso, eu só quero dizer que você não prova que sou agressor.”
Carlinhos Brown tentou apagar o incêndio com diplomacia de cacique experiente, pediu a palavra e sugeriu que os dois cantassem juntos como gesto de superação da violência. A resposta de Edson Gomes foi a frase da noite: “Cantar uma zorra!” E saiu.
O que fica dessa noite é uma cena que Salvador vai carregar por muito tempo. Daniela Mercury tem histórico de posicionamento firme sobre violência de gênero, e a fala dela foi claramente intencional. Edson Gomes, negando publicamente e exigindo provas, colocou a bola de volta no campo dela. Se há mais história por trás dessa acusação, ela vai aparecer. Baiana não deixa nada quieto, e as minhas amigas já me provaram isso antes mesmo de eu tomar o primeiro café.
Confira o vídeo: