Eu, já cheguei arrepiada na Marquês de Sapucaí porque ensaio técnico bom avisa antes. E avisou. Daniel Zarmanno resolveu virar funkeiro com a segurança de quem sabe que vai causar e causou mesmo. A Unidos da Ponte levou sua identidade para a pista e eu vi a avenida virar capítulo quente de novela carnavalesca.

Zarmanno voltou a desfilar com a comunidade depois de integrar a escola no ano passado. Chegou com postura de protagonista, sorriso treinado e aquele olhar de quem sabe que a câmera sempre encontra. Azul e branco pulsando, São João de Meriti inteiro batendo palma, e eu anotando tudo para a posteridade fofoqueira.
O figurino veio afiado, funkeiro da cabeça aos pés, dialogando com o enredo Tamborzão, O Rio é Baile, o Samba é Black. O resultado foi um choque delicioso de referências, cultura black em evidência, funk carioca tratado como raiz e não como figurante. A Sapucaí entendeu o recado e respondeu com grito.

Além de muso, Daniel também assina figurinos que vão aparecer nos ensaios finais e no desfile oficial. Traduzindo para a língua da Kátia. O homem não desfila sozinho, ele espalha estilo pela avenida inteira. Figurino rodando, fantasia respirando, comunidade se reconhecendo.