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Kátia Flávia
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Da Transamazônica ao Louvre: a Parket e a dinastia da madeira brasileira

Co-CEO, Douglas Oliveira, conta a história de 50 anos que levou a Parket de uma serraria familiar à referência mundial em pisos premium, presente no Louvre Abu Dhabi, hotéis Fasano e alguns dos endereços mais exigentes do planeta.

Kátia Flávia

23/03/2026 10h44

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Douglas Oliveira e Pamela Leão, Co-CEOs da Parket, ao lado de Hercy Oliveira e Clodoaldo Oliveira. (Foto: Divulgação)

A história começou em uma estrada de terra no meio do “nada”. Coronel Hercy Oliveira, estava em missão militar em Rondônia, abrindo estradas, quando descobriu algo que mudaria três gerações: madeiras nobres que pareciam contar histórias próprias. O que nasceu como favor para vizinhos no Sul, trazer caminhões carregados do Norte, floresceu em algo maior. Meio século depois, a madeira trabalhada pela família Oliveira reveste desde o Louvre Abu Dhabi até o chão onde hóspedes do Rosewood caminham descalços.

O rigor Alemão que cruzou a Amazônia

Antes do Coronel Hercy, houve Seu Harold — carpinteiro alemão cuja obsessão por precisão virou DNA familiar. “Cada peça tinha que ter encaixe perfeito, cada régua bem feita. Ele nunca gostou de atalhos”, conta Douglas Oliveira, hoje co-CEO da Parket ao lado da irmã Pamela Leão e do irmão Gustavo Oliveira. Essa herança de rigor técnico atravessou gerações e continentes.
O que nasceu como critério artesanal hoje opera em escala industrial sofisticada: centenas colaboradores, parque de 30 mil m², instaladores próprios treinados cuidadosamente. Enquanto 95% do mercado terceiriza a mão de obra, a Parket mantém controle absoluto, da floresta ao acabamento. É essa exclusividade técnica que permite aceitar projetos que outros recusam: Soluções completas em madeira, escadas helicoidais complexas, fachadas camarão em muxarabie, forros com sistemas de som integrados e alçapões invisíveis…
“Não vendemos superfícies. Entregamos acabamento de marcenaria fina em escala arquitetônica”, define Douglas. A diferença não é retórica, é mensurável na execução.

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Com mais de 50 anos de história, a Parket transformou o trabalho artesanal com madeira em referência internacional no setor de revestimentos premium. (Foto: Divulgação)

São Paulo e a conquista do impossível
O salto para o luxo, teve gatilho específico. Em 2004, o apresentador Zeca Camargo procurou a empresa com um pedido aparentemente simples: queria um carvalho europeu que vira na França. A Parket não apenas conseguiu, foi a primeira a introduzir esse tipo de piso no Brasil. “Ali rompemos fronteiras”, recorda Douglas.
A partir desse momento, arquitetos como Márcio Kogan e Débora Aguiar descobriram na marca algo raro: capacidade técnica aliada a repertório estético. Lojas Gucci, Max Mara e Fendi passaram a pisar em madeira Parket. Hotéis Four Seasons, Fasano e Rosewood encontraram na empresa o silêncio visual que o luxo verdadeiro exige.
No exterior, projetos realizados por parceiros, que importam produtos da Parket, levam a assinatura brasileira: Louvre Abu Dhabi, Passarela de Hong Kong, empreendimentos em Nova Iorque, Waldorf Resort nas maldivas e Rambla Del mar em Barcelona. A madeira nacional aprendeu a dialogar com culturas arquitetônicas distintas mantendo sua identidade técnica.

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A Parket controla toda a cadeia produtiva da madeira, do manejo florestal sustentável à fabricação de pisos e soluções arquitetônicas. (Foto: Divulgação)

A matemática da sustentabilidade inteligente
Com seis florestas próprias sob manejo sustentável no Brasil, Bolívia e Peru, a Parket domina a cadeia completa. Para Douglas, sustentabilidade não é discurso, é inteligência construtiva e sobrevivência empresarial.
A empresa foi pioneira no piso engenheirado, tecnologia que otimiza drasticamente o uso da madeira nobre. Os números impressionam: “Se antes utilizávamos um metro cúbico de madeira nobre para 20 metros quadrados de piso maciço, hoje produzimos até 120 metros quadrados de piso engenheirado com a mesma quantidade.”
A engenharia própria permite ainda réguas de até 4 metros de comprimento, feito raro mundialmente que garante continuidade visual em projetos de grande escala. “Conseguimos reduzir significativamente o uso de recursos naturais sem abrir mão da qualidade ou estética”, explica Douglas. “Para nós, sustentabilidade faz parte das decisões há mais de cinco décadas.”

O Luxo que permanece
Aos 50 anos, a Parket não persegue tendências, constrói permanência. Como define o próprio Douglas: “Não vendemos apenas pisos, mas o palco onde famílias constroem memórias.”
Ao caminhar sobre um piso Parket em Nova Iorque, Paris ou São Paulo, o que se sente é a resistência de meio século de critério familiar. Uma lição silenciosa sobre verdadeiro luxo: ele não brilha, não grita, não se anuncia. Apenas permanece, com a dignidade de quem sabe que durar é a forma mais elegante de impressionar.
Da estrada de terra da Transamazônica aos salões do Louvre, uma família brasileira ensinou ao mundo que madeira não é apenas material, é linguagem. E quando bem falada, ecoa por gerações.

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