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Kátia Flávia
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Culpa do Bolsonaro, PL racha no Paraná e prefeitos largam sigla por Ratinho Jr

Uma reunião de prefeitos do PL em Curitiba escancarou a crise interna do partido após a filiação de Sergio Moro. O movimento, puxado por Marcel Micheletto, reúne lideranças municipais que decidiram seguir ao lado de Ratinho Junior e rejeitaram uma imposição vinda de Brasília.

Kátia Flávia

26/03/2026 17h30

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O episódio ocorreu após a filiação e o lançamento de Sergio Moro como pré-candidato ao governo estadual. (Foto:Reprodução/CNN Brasil)

Meus fofoqueiros de elite, eu tive que sentar para processar porque o Paraná resolveu entregar um barraco político com cara de reunião de condomínio de luxo em dia de prestação de contas. A cena aconteceu em Curitiba, numa reunião de prefeitos do PL, e o áudio de Marcel Micheletto veio daquele jeitinho que eu adoro para fins jornalísticos, sem rodeio, com mágoa, recado e ameaça de debandada servidos no mesmo prato. O pano de fundo é a filiação de Sergio Moro ao PL e a leitura, dentro de uma ala do partido, de que tentaram empurrar goela abaixo uma mudança de rumo num estado onde Ratinho Junior segue como grande fiador político de prefeitos e lideranças municipais.

O que está em jogo, meu amor, não é uma simples birra partidária. É uma briga por comando, por território e por 2026. Micheletto, que é prefeito de Assis Chateaubriand e presidente da Associação dos Municípios do Paraná, apareceu como uma das vozes mais estridentes desse motim elegante, defendendo que os prefeitos querem discutir o Paraná e continuar ao lado de um governador que, segundo ele, conhece os municípios pelo nome, distribui recursos e mantém alta aprovação. Traduzindo do político para o português claro, a turma municipalista resolveu avisar que não quer virar figurante num roteiro escrito em Brasília.

E eu confesso que adoro esse momento em que a política perde a pose blasé e mostra ciúme, lealdade e cálculo com a sutileza de um reality da Record com orçamento de campanha. Porque foi exatamente isso que apareceu na fala dele. Micheletto bateu na tecla da gratidão, disse que ninguém vai soltar a mão do governador e tratou como ingratidão pura a ideia de abandonar Ratinho Junior depois de anos de aliança. A fala tem aquele perfume clássico de grupo ferido que se sente trocado por uma novidade de mercado, no caso, Sergio Moro, esse personagem que entra no tabuleiro e já chega reorganizando o salão inteiro.

A reunião em Curitiba virou vitrine dessa rebelião e fortaleceu a narrativa de que dezenas de prefeitos estão prontos para deixar o PL. A conta exata variou nas versões publicadas, algumas falaram em 48 adesões já confirmadas, outras apontaram mais de 50 prefeitos e mais de 80 vice-prefeitos inclinados a sair. O número, aqui, importa, claro, mas o símbolo pesa mais. Quando um bloco desse tamanho ameaça abandonar a sigla, o recado não é burocrático. O recado é que o partido rachou num estado estratégico e rachou por causa de projeto de poder. Se tem famoso surtando, tem Kátia anotando. Se tem prefeito surtando, eu pego outra taça e anoto também.

Tem ainda um detalhe delicioso de bastidor, meus amores. Esse grupo não está dizendo que virou de esquerda, que renegou bandeiras ou que mudou de campo ideológico. Muito pelo contrário. O discurso é de que continuam de direita, continuam com os mesmos princípios, mas querem prioridade para a pauta local. Isso dá à briga uma camada bem mais venenosa, porque ninguém pode acusar o outro lado de traição ideológica com tanta facilidade. A acusação central passa a ser outra, abandono político, imposição de cima para baixo e desrespeito ao arranjo que vinha garantindo pacificação e repasses aos municípios. Nem roteirista da HBO faria melhor, porque a crise ganha cara de divórcio litigioso em família conservadora, com todo mundo jurando que continua fiel aos valores, enquanto disputa a guarda do eleitorado.

Eu olho para esse episódio e vejo Ratinho Junior como aquele protagonista que nem apareceu na cena, mas dominou o capítulo inteiro. Moro entrou no PL, Brasília mexeu as peças, e quem roubou a emoção da sala foi a fidelidade dos prefeitos ao governador. É aí que o babado cresce. O racha deixa de ser apenas sobre a chegada de um nome novo e vira prova pública de força de quem já está sentado no trono estadual. E Marcel Micheletto, com aquela fala de palanque ferido, ajudou a transformar uma crise partidária num grande capítulo de guerra por sucessão. O Paraná, meu bem, não está vivendo uma divergência protocolar. Está vivendo um climão de alta voltagem, com prefeito ameaçando saída, partido perdendo o eixo e Sergio Moro entrando no enredo como quem acende a luz e descobre que a festa já estava em chamas.

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