Olha… é nessas horas que a gente respira fundo, ergue a sobrancelha e pergunta em alto e bom som: quem teve a audácia a desumanidade de fazer isso com um bebê?
Na manhã desta terça-feira (25), em São Mateus, no Espírito Santo, moradores ouviram um choro fininho vindo da mata. Acharam que era um bichinho perdido, mas quando chegaram perto… minha filha, a cena era tão revoltante que nem novela das oito teria coragem de escrever.
Uma recém-nascida. Nua. Com o cordão umbilical ainda ligado. Coberta de terra. Jogada atrás de um formigueiro. Sim. Um formigueiro. Nem Shakespeare imaginou uma crueldade desse calibre.
A técnica de enfermagem que prestou os primeiros socorros confirmou: a bebê estava muito fragilizada, possivelmente exposta à chuva da madrugada, com sinais de ter passado horas sem nenhum cuidado. Horas! Uma recém-nascida!
Mas, apesar do abandono, a pequena guerreira resistiu. Resistiu como quem diz: daqui eu não saio sem lutar. O Samu foi chamado imediatamente, prestou atendimento ainda no local e levou a bebê para um hospital de São Mateus, onde ela segue passando por exames.
O Conselho Tutelar e a Polícia Civil foram procurados, mas ainda não tinham sido acionados naquele momento. O que se sabe é que a polícia abriu investigação, porque realmente não dá para fingir normalidade diante de tamanha barbaridade.
E aqui fica o registro: num país onde a gente já viu de tudo, uma recém-nascida abandonada atrás de um formigueiro consegue, sim, ultrapassar todos os limites da crueldade.
E graças ao choro que ecoou pela mata e à atenção dos moradores, essa história não terminou em tragédia.
Porque, se dependesse de quem a deixou ali… minha querida, não teria restado sequer um fiapo de esperança.