Preparem os sofás e os memes, porque Crô voltou. E voltou daquele jeito. Rico, entediado, cheio de tédio existencial e com tempo livre suficiente para causar estragos finíssimos em Três Graças à informação é do site badalado RDN.
Vivido por Marcelo Serrado, o personagem que virou ícone em Fina Estampa reaparece agora numa fase mais perigosa. Porque Crô com dinheiro não é novidade. Crô com dinheiro, tédio e tempo livre é ameaça narrativa.
Na nova trama, ele surge como um dos interessados em comprar a escultura “As Três Graças”, objeto de desejo que atravessa núcleos, provoca alianças improváveis e promete briga elegante. É ali que Crô encontra o playground perfeito para exercer sua especialidade, ironizar tudo, todos e ainda sair com pose de benfeitor.

O detalhe delicioso é que o personagem afirma ter cansado da vida de milionário. Claro que cansou. Rico entediado é o tipo mais perigoso da dramaturgia. Quando não precisa trabalhar, Crô resolve trabalhar o caos. E faz isso com humor, sarcasmo e aquele olhar de julgamento silencioso que já entra em cena antes da fala.
No tabuleiro, ele vai contracenar diretamente com Miguel Falabella e Samuel de Assis, prometendo diálogos afiados, tensão elegante e aquela disputa de ego que novela boa adora entregar.
A sacada da novela é clara. Trazer Crô não é só nostalgia. É estratégia. Ele entra como tempero premium numa trama que quer rir de si mesma, provocar o público e oferecer aquele prazer específico de ver um personagem que não pede desculpa por ser exagerado.

Crô não voltou para ser coadjuvante comportado. Voltou para observar, comentar, interferir e, se possível, sair ileso enquanto os outros se estapeiam metaforicamente ao redor da tal escultura.
Para o público noveleiro, é fan service com inteligência. Para a trama, é oxigênio. Para Crô, é mais um capítulo de uma vida em que dinheiro nunca foi problema. O problema sempre foi o tédio.
E quando Crô se entedia, minha filha… a novela agradece.