Albert Lewitinn, criador do programa que lançou Márcia Goldschmidt no SBT em 1997, processou a emissora. O produtor norte-americano alega ser o proprietário do formato e contesta reprises recentes da atração na TV aberta e no streaming.
Eu saí do banho, enrolei o cabelo na toalha e fui para a cozinha separar os ingredientes do almoço quando vi a notícia. Aí eu pensei: o SBT já está com tanto assunto no colo que agora até o telebarraco dos anos 1990 resolveu voltar para cobrar direitos autorais.

Lewitinn pede indenização pelo uso do programa. Segundo a ação, as reprises foram exibidas sem a autorização dele, que desenvolveu a atração apresentada por Márcia e se tornou diretor-geral do projeto na emissora.
O Márcia estreou em julho de 1997 e levou para o horário nobre um talk show de conflitos familiares, discussões acaloradas e plateia com opinião para todos os lados. O formato rapidamente ganhou audiência e chegou a ameaçar a Globo em alguns momentos.
Eu estava lavando o tomate para o almoço e só conseguia imaginar a cena: o programa voltando ao ar, o povo gritando no palco, a família inteira se desentendendo e, do outro lado, o criador dizendo “essa confusão também é minha”.
O produtor chegou ao Brasil depois de trabalhar com talk shows nos Estados Unidos e desenvolveu o Márcia para o público brasileiro. A inspiração vinha do modelo de Ricki Lake, mas Lewitinn dizia que a adaptação tinha identidade própria e era pensada para a televisão daqui.
O sucesso foi tão imediato que o SBT passou a tratar Lewitinn como um dos nomes de confiança da casa. Ele também planejou outros projetos para a emissora após o impacto do programa de Márcia, que virou sinônimo de discussão de família em rede nacional.

Eu cortei a cebola e pensei que não existe reprise inocente quando envolve formato, dinheiro e memória de televisão. O público vê arquivo e nostalgia; quem criou vê contrato, autorização e possível uso comercial.
Até o momento, não há informação sobre posicionamento do SBT no processo. O que se sabe é que a atração que fez o Brasil parar para assistir roupa suja na TV agora pode render uma disputa bem menos divertida nos tribunais.